Posts com Tag ‘Set Collection’

– In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti – entoou o abade, erguendo a hóstia.

– Amém – responderam, em uníssono os monges, ajoelhados nos genuflexórios.

A abadia era escura e úmida, austera em sua construção de pedras cinzas. O sol surgia no horizonte, fora do monastério, e, ali dentro, as velas de cera de abelha queimavam fracas, praticamente exauridas. As laudes seguiram dia adentro e o eco das vozes ressonavam pelos corredores.

– Gloria Patri, et Filii, et Spiritus Sancti. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum – o abade cantou, encerrando a ladainha e as orações matutinas.

– Amém – retornaram os monges.

Após serem dispensados os monges seriam em pares pelos corredores até o refeitório, onde vinho, pão, queijo, mingau e frutas os esperavam. Dali os irmãos separaram-se, indo para suas tarefas diárias e alguns, os mais habilidosos e respeitados foram até o scriptorium – a oficina dos escritos -, onde os pergaminhos e as tintas os esperavam. Os assentos rígidos de madeira não eram confortáveis, mas o costume removera a maior parte do incômodo. Os monges se persignaram, fazendo o sinal da cruz, antes do início do trabalho, pois o serviço era uma litania de louvor aos céus.

Então as penas tiveram suas pontas cuidadosamente afiladas, enquanto o mestre dos copistas supervisionava a mistura dos pigmentos, em particular a moagem do lápis-lazúli e o preparo do auripigmentum – o divino dourado – pois era esperado que as iluminuras preparados ali superassem em qualidade e beleza todos os demais mosteiros da cristandade. Os favores do arcebispo são volúveis e o abade não queria perdê-los. Era necessário, portanto, inspirar com maravilhas em formas de letras e cores. Tudo para a glória do Senhor.

BIBLIOS – O JOGO

Imagem por kherubim
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Olá, pessoas!

Aviso que as impressões abaixo, como dito, são as primeiras, com base em uma partida, em 4 pessoas.

Jogamos esta que é a versão “avançada” do Ouro de Tolo. Há variadas diferenças, mas as principais são três: adição de um set collection, onde conjuntos de joias podem dar bônus em dinheiro, o que faz as pedras de menor valor ao menos ajudar nisso; a partida dura definidas 5 rodadas, não tem mais aquele elemento de corrida – chegar até 50 dinheiros e dar o gatilho de final de jogo; e a distribuição das cartas (as quais, se não usadas, valem dinheiro ao final da partida) mudou um tanto, pois além do primeiro que sai e do último, há possibilidade de outros também ganharem cartas. E isso tudo é bom? Então, pode ser, mas em nossa partida, não foi.

Porque veja, sem o aspecto de corrida, um jogador tem a possibilidade de alcançar outro que tenha ido muito bem numa rodada, o que é, em princípio, bom. Porém falamos aqui de um jogo de pressionar a sorte. E a sorte não segue princípios claros – ela é o caos, O CAOS! O que significa que se alguém tem chance de melhorar, pouco impede do outro, que já foi bem, de ir ainda melhor, chegando-se num ponto em que a pessoa tem quase nada de chance de vencer, mas ainda precisa permanecer ali. O Incan Gold é assim, talvez até mais, pois nele não existem cartas de “tome isso” e, portanto, não há como prejudicar alguém que esteja na frente. Só que o Incan Gold, por sua natureza coletiva (todos exploram juntos), é bem menos frustrante, pois se outros e você estão na exploração e vem um tesouro 17, opa, todos dividem! É bem diferente de você pegar um quartzo vagabundo de valor 1 (ou, pior, um cristal instável – que é o “ouro de tolo” desta versão) e seu colega pegar um ouro de valor 8.

Ademais, o Incan Gold, sem o “tome isso” irrita menos também, pois como é natural, apesar de ter alguém indo melhor, se você tem uma carta que rouba 2 cristais, apesar de poder roubar quem está melhor, de que isso lhe vale se este tiver só uns cristais de baixo valor, enquanto outro, que pode estar bem pior, tem dois de bem mais alto valor? Enfim, tudo isso é para dizer que é uma decisão arriscada ampliar a duração de qualquer jogo de pressionar a sorte com doses galopantes de :”tome isso”.

A adição do esquema de coleção de conjuntos é legal, pois faz dos cristais mais comuns (e menos valiosos) mais relevantes, ainda que torne a contagem de pontos mais nebulosa. A maior distribuição de cartas também é positiva, e provavelmente aplicarei algo assim no Ouro de Tolo (distribuindo uma carta para todos ao final da rodada).

Os componentes são bem bons – os cristais são enormes; porém o esquema de cores ainda me deixa ponderando: é mesmo melhor usar verde claro e escuro, rosa claro e escuro, ao invés, deste?

 

A arte, toda nova, é ótima.

No geral, a nova edição vale para quem não tem o Ouro de Tolo, pois apesar de possuir boas novas ideias, as melhores são facilmente aplicáveis (principalmente a do marcador de experiência) – a da coleção de conjunto, ainda que uma boa ideia, não é recomendado incluir, pois aí o jogo pode terminar em 2 rodadas. Então, um jogo OK, mas aquém do que eu esperava em termos de evolução.

E é isso!

Abs,

Crédito das imagens (em ordem):
Luis Francisco
Google imagens

Olá!

Aviso que as impressões abaixo, como dito, são as primeiras, com base em uma única partida.

O básico das regras:

Libertalia é um jogo em que cada participante escolhe uma cor (lindamente representada por um navio, com nome específico, um esconderijo e o nome de um capitão pirata). Então recebe 30 cartas de personagens – cada uma delas única entre as 30, mas cada jogador tem as mesmas cartas.

Imagem por W Eric Martin

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Ganhar a vida no campo não é algo simples: saber o que plantar é tão importante quanto saber quando colher. Haverá chuva este ano? Será preciso descansar o campo ou mudar a plantação? E, mais importante de tudo, alguém tem um feijão azul?

Azul?? Amigo, fique comigo que você já irá entender.

BOHNANZA – O JOGO

(Cortesia de yayforme)

Pois bem, antes do Uwe Rosenberg decidir que jogos simples são para os fracos, ele fez um jogo de plantação de feijões chamado Bohnanza. Agora, é uma plantação que ocorre em alguma propriedade rural na França em que há 8 tipos de funções diferentes na fazenda para escolher e 32 tipos de prédios para construir e levar os feijões da terra até a mesa do consumidor final (e por consumidor final eu quero dizer, meeples famintos, claro)? Não.

É um jogo de coletar conjuntos de cartas. Cada jogador tem dois campos (é possível comprar um terceiro, mas considere que como base usarei dois campos nos exemplos) e plantar é preciso. Acontece que o fazendeiro que o jogador interpreta tem déficit de atenção, assim, só com muito controle uma plantação chega a encorpar como deve.
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– Acho bastante difícil, senhor – disse o engenheiro, encarando, do alto do morro, a extensa planície.

O dono da empresa sabia que era uma tarefa complicada. Se fosse fácil, alguém provavelmente teria feito antes. – E, mesmo assim, faremos – retrucou.

O engenheiro abaixou-se sobre um dos joelhos e pegou um punhado de terra, sentindo como era fina e seca. – Difícil – repetiu ele. – Será preciso um trilho longo, sem estações grandes entre aqui e Helena. Quase uma linha reta – mas uma enorme linha reta, no entanto.

– Mas pode ser feito?

Foi necessário um tempo de ponderação antes do engenheiro responder. – Pode, mas será necessário bastante ferro. E a Companhia Azul está pegando tudo que tem disponível para a ferrovia São Francisco-Portland.

Um sorriso espalhou-se pelo rosto do empresário. – Ah, quanto a isto, não se preocupe. Vá em frente, comece a contratar os trabalhadores e fazer as encomendas de material.

O engenheiro não estava tão certo sobre a prudência financeira daquelas ações. – Mas…

O dono da empresa o interrompeu. – Tudo que posso dizer – segredou – é que tenho alguns coringas nas mangas.

TICKET TO RIDE – O JOGO

Imagem por Fawkes

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Ah, um jogo desenvolvido pelo Knizia, em que exploradores se esforçam para conseguir patrocínios para sua equipes que, com apoio ou sem, partem em busca das mais famosas cidades perdidas – Shangri-la, Atlântida, o Templo Inca, etc -, enfrentando doenças, nativos, perigos naturais e, quem sabe, até sobrenaturais! Afinal, o prêmio para quem encontrá-las é a fama que perdurará por séculos!…

… Hã, ok. Nem tanto. Lembra do início? É do Knizia. Mas não deixe isso interferir com sua imaginação!

Então vamos ao jogo.

O JOGO

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Pássaros é um jogo onde os participantes representam fotógrafos correndo pelas regiões do Brasil para conseguir fotos de pássaros e aves (o manual do jogo explica a diferença de um tipo para outro, eu não farei isso aqui, de agora em diante são tudo aves – para não repetir com o nome do jogo).

Dados gerais:
– Designer: Marcos Macri;
– Arte: Diego Sanchez (logo), John Souza (arte original) e mais um pessoal para a arte adicional;
– Indicado para maiores de 8 anos;
– Dura cerca de 50 minutos (nas partidas que joguei e testemunhei, no modo básico, o jogo dura cerca de 30 a 40 minutos);
– Acomoda de 2 a 5 jogadores (no modo avançado, é de 2 a 4 jogadores).

(Capa do jogo)

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