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O objetivo dessa resenha é apenas focar nas três primeiras expansões já lançadas para o Race for the Galaxy excluindo a mais recente expansão lançada, Alien Artifact, que é incompatível com as 3 expansões aqui citadas abrindo um novo arco de expansões. Se você procura uma resenha completa do jogo base, encontrará uma ótima resenha feita pelo Tiago Perretto nesse blog. Dito isso, a intenção dessa resenha é complementar a resenha do Tiago, focando aonde ele não focou em sua resenha: nas expansões desse primeiro arco.

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Meeeorrr.

Fizzzt.

FELIX: THE CAT IN THE SACK – O JOGO

(Cortesia de Friedemann Friese)

Felix é um jogo de leilão e blefe. A ideia é a seguinte: cada participante recebe uma mão de 10 cartas (todos têm as mesmas cartas, o que varia é a cor delas) e retira uma delas de forma aleatória. Cada um também recebe 15 dinheiros. Assim, restarão 9 cartas na mão. O objetivo é pegar a maior quantidade de gatos “positivos” (ou “bons”) e evitar os gatos “negativos” (ou “maus”) gastando o mínimo possível de dinheiro (já que cada 1 de dinheiro é 1 ponto de vitória ao final do jogo).

Cada carta tem um valor ou uma função, como segue:

Gatos “positivos” – valor 3, 5, 8, 11 e 15

Gatos “negativos” – valor -5 e -8

Coelho – valor 0

Cães – o Pequeno (que retira a carta de menor valor) e o Grande (que retira a carta de maior valor)

(Cortesia de Sneezy96)

Além dessas cartas, o jogador ainda conta com:

– 1 carta do “Gato no saco”

– 1 marcador de primeiro jogador

– 4 cartas de Camundongos – de valor 2, 3, 4 e 6

– 76 dinheiros camundongos

(Cortesia de Kjetil Bjornsrud)

Em sua vez, o jogador escolhe uma de suas 9 cartas e a coloca, de face para baixo, na posição específica para ela, de acordo com a sua posição (o jogador que venceu o leilão anterior torna-se o primeiro jogador da rodada seguinte e, a partir dele, a ordem é horária).

A primeira carta é sempre revelada após todos terem colocados suas cartas. As outras permanecem escondidas. Assim, cada jogador, exceto o primeiro, conhecerá a princípio duas cartas (a que ele colocou e a do primeiro jogador). O primeiro jogador abre o lance pelas cartas ou passa a vez – se passar, ele está fora do leilão e não poderá dar nenhum lance depois.

Cada vez que um jogador passa, uma carta é revelada. Até que, afinal, haverá sempre dois jogadores e uma única carta escondida. O final da rodada ocorre quando todos os jogadores exceto um passaram (ou seja, não quiseram ou não puderam superar o lance de um dos jogadores). O vencedor leva todas as cartas – tanto as positivas quanto as negativas. Os cães eliminam as cartas imediatamente após o término do leilão, então os gatos que foram assustados pelos cães não vão para o vencedor, sendo descartadas.

As apostas dos que perderam o leilão voltam para a eles.

De começo, haverá dinheiro em cima das cartas de camundongo de acordo com o valor expresso nela (2, 3, 4 ou 6). Somente no jogo com 5 pessoas entram todas as cartas de camundongo. Se houver 4 jogadores ficam a de 2, 4 e 6. No jogo com 3 jogadores ficam a de 3 e 6.

O jogador que passa a vez pega o dinheiro que houver em cima da carta da camundongo (se algum). Assim, num jogo de 5 pessoas, o 1º que passar a vez, pega 2 dinheiros. O 2º que passar pega 3. E desse modo em diante.

Se não houver dinheiro suficiente no “banco” para colocar em cima de todas as cartas de camundongo, nenhum dinheiro é posto em quaisquer das cartas. Ou seja, quem passar a vez não levará dinheiro dessa vez.

Vou descrever um turno hipotético com 5 participantes:

– Em cima de cada carta de camundongo é colocado o respectivo dinheiro (2, 3, 4 e 6);

– Cada jogador escolhe uma carta e em ordem a coloca na posição da fileira;

– Após todas as cartas serem colocadas, o 1º jogador revela a carta que ele colocou: um Coelho, que vale 0 ponto. Mesmo assim, apostando que os demais colocaram alguma carta de valor, ou apenas para subir as apostas, o 1º jogador diz que aposta 2 dinheiros;

(Cortesia de Rafal Szczepkowski)

– O 2º jogador sabe que colocou um gato “positivo” de 5, então desde que não haja algo muito drástico colocado pelos outros, ele avalia que vale apostar 3 dinheiros;

– O 3º jogador pôs um gato “negativo” de valor -8. Ele cogita desistir já e passar a vez. Mas com isso ele só levará os 2 dinheiros de bônus (que é o que consta na primeira carta de camundongo). Então ele resolve blefar, para levar os outros a crer que ele colocou uma carta “positiva” de alto valor, e por isso ele aumenta a aposta para 6 dinheiros;

– O 4º jogador colocou um gato “positivo” de valor 8. Como ninguém ainda passou, ele acredita que não deve haver nada muito ruim na carta do 2º e do 3º jogador, ainda mais porque este dobrou a aposta. Ele também sabe que o gato dele é protegido do Cão menor (o que remove a carta de menor valor – se a carta de menor valor for uma carta “positiva”, ele a remove do mesmo modo), pois já tem a carta do Coelho valendo 0 revelada. Ele decide apostar 7 dinheiros;

– O 5º jogador colocou um gato “negativo” de valor -5. Então, para o que ele sabe, a fileira vale -12 pontos (0 do Coelho, -5 da carta que ele colocou e -7 dos dinheiros que ele tem que cobrir). Assim, crendo que não haverá 12 pontos nas 3 cartas dos outros, mesmo a contragosto, já que pegará o menor bônus do camundongo, ele passa a vez e pega os 2 dinheiros da carta de camundongo;

– A 2ª carta é revelada e todos olham que é um gato “positivo” de valor 5. Os que apostaram se animam – exceto o 2º jogador que já sabia qual era ela;

– O 1º jogador, conseguiria cobrir a aposta de 7 dinheiros somente se apostasse tudo o que tem (ele ganhou o último leilão e o dinheiro está mais apertado agora). Mesmo assim, ele está contente, pois o objetivo dele era só não ser o primeiro a passar. Ele passa a vez, pois não quer ficar sem dinheiro, e coloca os 3 dinheiros de bônus da carta de camundongo;

– A 3ª carta é revelada e todos veem que trata-se de um gato “negativo” de valor -8. O 3º jogador ri maldosamente;

– O 2º jogador suspira aliviado por terem coberto a aposta dele. Ele poderia aumentar a aposta que fez antes, mas não quer, então passa a vez sem pestanejar, pegando o bônus de 4 dinheiros da carta de camundongo;

– A 4ª carta é revelada e é um gato “positivo” de valor 8;

– O 3º jogador também passa a vez em ato contínuo, pegando o bônus de 6 dinheiros da carta de camundongo;

– A 5ª carta é revelada e é um gato “negativo” de valor -5;

– O 4º jogador venceu o leilão. Ele paga os 7 dinheiros (ao apostar o jogador deve colocar o dinheiro “aberto” na frente dele, para mostrar que pode pagar o lance que deu. O resto do dinheiro pode – e deve – ser mantido em segredo). Os valores das cartas que ele pegou foram: 0, 5, -8, 8 e -5 = 0 pontos! No geral, nesta rodada, o 4º jogador perdeu, então, 7 pontos (o dinheiro que apostou);

– Para a próxima rodada, não há dinheiro no banco suficiente para as cartas de camundongo (é necessário pelo menos 15 dinheiros e no banco, só há 13 dinheiros – 6 que havia antes e mais os 7 do pago pelo leilão). Assim, nenhuma carta recebe o dinheiro de bônus;

– O novo 1º jogador é o que foi o 4º jogador da rodada (ele ganhou o leilão). Novas cartas serão escolhidas e haverá um novo leilão, e assim em diante até que não haja mais cartas nas mãos dos jogadores (ou seja, o jogo sempre durará 9 rodadas de leilões).

Ganha quem tiver mais pontos!

O desempate é quem tiver mais gatos (por isso que as pessoas devem ficar mesmo com os gatos negativos).

E É BOM?

(Cortesia de Giovanni Messina)

Em minha humilde opinião, é sim. Mas não é sem problemas: é difícil se recuperar de uma aposta ruim. No exemplo dado acima, além da pontuação neutra, o 4º jogador também terá menos dinheiro que os demais. E como na rodada seguinte não haverá o bônus dos camundongos, ele sequer conseguirá mais dinheiro para a rodada seguinte àquela que iniciou-se. Portanto, se alguém aposta alto na primeira ou na segunda rodada, pode só ser um fator relevante no leilão da 7ª rodada, e até lá as melhores cartas podem já ter ido para os outros. Ou pior, apostar alto na 7ª rodada e não fazer nada na 8ª e nem na 9ª, quando entram as cartas altas que as pessoas tendem a segurar na mão.

É um cuidado a ser tomado.

Todavia, o Felix é fácil de ser entendido, mas pode ser tanto fácil quanto difícil, vai depender inteiramente dos jogadores. Há um bom espaço para blefes e a interação entre os participantes é bastante alta.

A arte do jogo também é “fofa” e bonita. Portanto, o Felix pode tanto servir muito bem como um jogo de entrada para pessoas no hobby quanto para pessoas mais experientes, que queiram dar uma relaxada, já que a mecânica do jogo não é complexa, mas ainda existe o desafio se os participantes forem bons nos lances e no blefe.

E é isso!

Abs,