Posts com Tag ‘Controle de Área’

Os passos na calçada pavimentada de pedras soavam abafados na neblina densa que subia dos canais. O caminho estava liso e era preciso andar com cuidado para não escorregar e cair, e o caminhante pensou nisso e sorriu, vendo um paralelo claríssimo com sua situação na política da cidade. Assim, ele reduziu o passo – pena que não podia fazer o mesmo em sua outra estrada, pois os leões vinham atrás e estavam todos famintos. Chegou adiante do arcos lavrados de um ponte, marcada com o brasão de um de seus oponentes. Torceu o rosto num sinal de desprezo e escárnio. Então cruzou os braços e ficou ali, esperando.

Andando pela ponte veio seu contato, um empolado comerciante de Mestre, para o qual tinha pouco apreço, mas, neste momento, era alguém que carregava alguma importância, por isso o saudou com um aceno, mantendo o silêncio – havia muitos que desejavam ouvir mais do que o rumorejo da água. Junto de seu contato, ambos seguiram até uma travessa cercada por paredões de tijolos úmidos, um local onde poderia falar mais livremente, pois estavam afastados de janelas e portas.

“E então?”, o nobre veneziano perguntou.

“Amigo”, falou o comerciante, mas não eram nem perto disso, “trago as boas novas. Você poderá aumentar sua influência em San Polo, um lugar de mérito, tanto para quem controla como para quem apenas ocupa-se de uma posição notável na região. Além disso, poderá dispor de um novo Espião na cidade.”

“Isso é bom, mas e o preço?”

“Três limites, meu amigo.”

“Hum”, resmungou o nobre. Era um valor alto, mas que ele poderia pagar. “E o que mais?”

“Pode arranjar um visita do Dogue, que, como sabe, estará mais atento aos seus negócios, rendo-lhe um ganho de destaque na cidade. E conseguirá expandir seu apoio em Cannaregio. Tudo por quatro limites.”

“Um preço alto.”

“Alto, realmente, meu amigo. Mas o Dogue, como sabe, é volátil em seus gostos e pode ajudar aos outros, se o senhor não fizer questão que ele volte seus olhos para sua graça.”

“Não preciso ser lembrado disso por alguém de Mestre”, retrucou o nobre, amargo, nem tanto pelo comentário, que era válido, e mais pela insistência do comerciante em querer transformá-los em colegas, o que apenas o diminuía.

“Perdoe-me”, pediu o comerciante, sem real humildade.

“Qual a última opção?”

“Meramente um pouco de apoio em Castello e Dorsoduro, pelo custo de 1 limite.” O preço era pequeno, mas aqueles regiões estava fora da área de influência do nobre, que teria pouco a ganhar colocando alguns peões em meio a tantos Bispos e Cavalos dos outros – era uma briga que poderia começar, no entanto, mas cujo resultado ele não podia, ainda, prever. O nobre ponderou, a mão no queixo, sentindo o sereno úmido descer sobre eles. Havia sons na noite, mas ele não se importava com eles naquele momento.

“Bem”, soltou, de repente, assustando um pouco o comerciante que mantivera-se em seus próprios pensamentos, “avise ao Dogue que será um prazer recebê-lo e mande um abraço para meus amigos em Cannaregio.”

“Assim será feito, meu amigo.”

Sem despedidas, cada um foi para seu lado enquanto a madrugada descia por sobre Veneza.

SAN MARCO – O JOGO

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Texto baseado em uma partida de Nippon em 3 jogadores.

Nippon

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Dominant Species – análise

Publicado: 26 de novembro de 2015 por Alexandre Trentini em Resenha
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Há 90.000 anos atrás o mundo se preparava para entrar em uma era glacial, as espécies de várias classes de animais competiram entre si e lutaram pela sobrevivência em um mundo ficando cada vez mais escasso de recursos, esse é o cenário de Dominant Species, jogo de Chad Jensen publicado pela GMT em 2010.

DS Capa

Dominant Species é um jogo de 2 a 6 jogadores onde cada jogador controla uma classe animal dentre as 6 classes: Mamíferos, Répteis, Pássaros, Anfíbios, Aracnídeos, Insetos. O objetivo do jogo é fazer com que as espécies da sua classe sobrevivam e se adaptem bem até o momento de clímax da Era do Gelo na Terra. Em termos mecânicos, em cada rodada os jogadores irão fazer pontos de vitória de acordo com maiorias de espécies em terrenos, uso de cartas de efeitos especiais e sobrevivência na tundra, no fim do jogo vence quem tem mais pontos de vitória.

É um jogo de domínio de área onde as ações dos jogadores são resolvidas por um sistema de alocação de ações e resolução em uma ordem determinada. Cada jogador, em sua vez de jogar no turno, aloca um peão de ação (um trabalhador) em uma das 12 ações disponíveis. Depois que todos os jogadores colocaram seus peões, as ações são resolvidas em ordem de procedência,  da esquerda para a direita, de cima para baixo. (mais…)

Eight-Minute Empire: Legends é um jogo de controle de área mesclado com coleção de conjuntos (set collection). As regras são bem diretas: no seu turno você pega uma carta da fileira de seis cartas disponíveis. A primeira carta da fileira é de graça, as próximas duas custam 1 cada, a quarta e a quinta carta custam 2 cada, e a sexta (e última) carta custa 3. Cada carta possui duas informações relevantes: na parte de baixo está indicada qual a ação permitida pela carta (usualmente será: ou colocar exércitos (cubos) no tabuleiro, ou mover exércitos, ou remover exército de um dos oponentes, ou construir uma fortaleza). Na parte de cima da carta está o nome da mesma e o efeito especial dela: ou ter a carta lhe dará algum bônus para algum dos tipos de ação (como, por exemplo, dar-lhe um movimento extra quando movimentando, ou permitindo colocar um exército adicional) ou será alguma coisa relacionada à pontuação (como: 1 ponto de vitória por carta do tipo Floresta que você tiver ao final do jogo, ou 1 ponto de vitória para cada 3 moedas que você tiver ao final da partida).

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Resenha de Twilight Struggle

Publicado: 12 de março de 2014 por Alexandre Trentini em Resenha
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“Now the trumpet summons us again, not as a call to bear arms, though arms we need; not as a call to battle, though embattled we are – but a call to bear the burden of a long twilight struggle…”

(“Agora as trombetas nos chamam de novo, não como um chamado para portar armas, apesar de que armas nós precisamos; não como um chamado para a batalha, apesar de que preparados para o combate nós estamos – mas um chamado para carregar o fardo de uma longa luta pelo crepúsculo…”)

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