King of Tokyo – resenha

Publicado: 6 de março de 2018 por Tiago Perretto em Resenha
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Comece vendo o vídeo!

KING OF TOKYO – O JOGO

Geral:
King of Tokyo é um jogo de dados em que os participantes representam monstros enormes com o objetivo de arrasar Tóquio e bater nos monstros oponentes, pois Tóquio pode ter somente um rei!

Regras:

King of Tokyo é bem leve em suas regras, que podem ser explicadas em 5 minutos (se tanto). O esquema é o seguinte:

Cada dado tem 6 faces e o que ele contém é:
– Pata (causa 1 ponto de dano)
– Coração (recupera 1 ponto de vida)
– Relâmpago (fornece 1 ponto de energia)
– 1 (pode dar 1 ponto de fama)
– 2 (pode dar 2 pontos de fama)
– 3 (pode dar 3 pontos de fama)

Em seu turno o jogador pode:
– Rolar seis dados. Então ele escolhe se quer re-rolar algum dado, quantos ele quiser. Os que ele não quer re-rolar, deixa de lado;

– Re-rolar os dados. Novamente ele escolhe se quer re-rolar algum dado, quantos ele quiser. Os que ele não quer re-rolar, deixa de lado. Ele pode também decidir re-rolar os dados que separou após a 1ª rolagem – isso é permitido;

– Re-rolar os dados pela segunda vez. Agora os resultados são finais e o jogador não poderá mais alterá-los, exceto pelo uso de alguma habilidade de cartas;

– O jogador dará 1 ponto de dano por pata, recuperará 1 ponto de vida por coração, ganhará 1 cubo de energia por relâmpago e, caso tenha rolado números, aí será necessário verificar se ele receberá pontos de fama ou não. A verificação é bem simples: é necessário ter rolado pelo menos três dados com o mesmo número. Se isso foi conseguido, o jogador recebe pontos de fama igual ao número + 1 ponto adicional por número igual aos três acima, claro, de três. Exemplo:

-> Numa rolagem de 2, 2, 2 e 2 – o jogador irá receber 3 pontos de fama. Os três primeiros dois são o “gatilho” para ativar a pontuação igual ao número da face. O quarto 2 dá um ponto adicional de fama (ou seja, não é o valor de face, os pontos de bônus são fixos em 1 por dado, independente do número).

– Após receber os pontos de fama (se algum), o jogador pode comprar cartas. Sempre haverão 3 cartas disponíveis para compra, e em cada uma delas há um custo em energia. O jogador pode, neste momento, pagar 2 energias para remover todas as 3 cartas e três novas cartas serão abertas – essas novas cartas já estarão disponíveis para compra. Qualquer carta comprada de efeito permanente, é mantida em frente ao jogador e entra em funcionamento no turno seguinte do jogador. As de uso único, podem ser guardadas para uso posterior, ou usadas imediatamente, à escolha do jogador.

– O turno então termina e é a vez do próximo jogador.

A briga

Uma grande parte do King of Tokyo é, claro, a pancadaria entre os monstros. Como o resto do jogo, não há dificuldade em entender o funcionamento:

– O primeiro monstro que tiver uma pata após todas suas rolagens permitidas, entrará em Tóquio. Não há escolha quanto a isso;

– Quando houver um monstro em Tóquio (ou dois, se o jogo for com 5 ou 6 participantes – neste caso, o 2º jogador que restar com 1 pata após as rolagens, entrará em Baía de Tóquio), todos que estiverem fora de Tóquio (e da Baía de Tóquio) causam dano nos monstros em Tóquio (e na Baía) igual ao número de patas roladas;

– Quem estiver em Tóquio (ou na Baía) dá dano em todos que estiverem fora de Tóquio (a Baía é considerada Tóquio) igual ao número de patas roladas;

– Sempre que um monstro em Tóquio receber dano em qualquer quantidade (mas não por efeito de cartas, só por dano causado por patas) ele pode escolher sair de Tóquio (ou da Baía). Se isso ocorrer, o monstro que deu o dano, entra em Tóquio (ou na Baía) e ganha 1 ponto de fama;

– Se o monstro em Tóquio (ou na Baía de Tóquio) manter-se ali por uma rodada (ou seja, permanecer ali até que o turno de jogo volte para ele), ele receberá 2 pontos de fama;

– Dentro de Tóquio não é permitido se curar usando os corações.

Basicamente é isso! Vence aquele que chegar primeiro aos 20 pontos de fama ou ser o último de pé!

Profundidade:

É mínima. Não há chance de uma estratégia além de: vou focar em dano, ou vou focar em pontos de fama. Mas nem isso se sustenta, pois os dados decidem se um ou outro será válido. São todas decisões táticas, portanto. E mesmo elas são fáceis: se rolar dois 3, mantenha os 3 e role o resto. Se estiver com pouca vida, vá atrás de corações. Se alguém está em Tóquio sem ser atacado, sempre vale deixar uma ou duas patas de lado para que não seja de graça os pontos de fama ganhos por mantê-la.

O que o jogo exige é atenção. Em mais de uma partida, o vencedor surgiu por desatenção dos participantes: os jogadores ficam concentrados no que querem e não no que precisam fazer naquele momento. Sim, aqueles dois 3 na primeira rolagem são tentadores, mas de que vão lhe adiantar se quem está em Tóquio provavelmente vencerá se não for retirado dali? Que tal gastar 2 energias, mesmo não lhe rendendo nada, mas para que o jogador com 6 energias não compre a carta X que lhe dará uma tremenda vantagem?

Sim, são decisões que não irão lhe render a vitória, talvez até lhe afastem dela, mas é um jogo de dados, então estender o jogo é, usualmente, a melhor opção para se recuperar e tentar virar a partida. A questão é que a situação entra no “faça você”. Por que devo eu gastar minhas duas suadas energias, ou ter de perder minha chance de cobiçados 3 ou mais pontos de fama, para que outra pessoa tenha mais possibilidade de vencer ao invés de mim e daquele que já está na frente? Não há uma resposta para isso, claro. Só que, envolvendo dados, não é garantido que quem vem em segundo lugar consiga fazer o que é preciso – ele pode até querer rolar patas (ou fingir querer, para passar a responsabilidade), e não conseguir. Com mais pessoas envolvidas em barrar o monstro de frente, maior é a probabilidade de tal ação ser bem sucedida.

Em todo caso, é um jogo que, sendo curto, o “dane-se você” não é uma tragédia também.

Tema:

É bastante temático! Monstros trocando pancadas pelo controle de Tóquio, enquanto arrebentam prédios, jogam navios uns nos outros, desenvolvem cabeças extras, tentáculos, são atacados por mísseis e tanto mais. O foco do tema está nas cartas, indo desde os nomes delas, passando pela ilustração (excelente) e os efeitos.

Os jogadores também têm facilidade em “comprar” a ideia – de começo, há certo clima de paz, mas basta alguém começar a receber dano, que a violência entre monstros começa. Não chega a haver interpretação dos monstros (afora um ocasional rugido ou outra onomatopeia), mas a noção de uma briga para ser o rei de Tóquio está bem presente.

É um tema bobo, por certo, mas também entretém e para quem cresceu vendo Godzilla, King Kong, Jiraya, Power Rangers, Kamen Rayder ou qualquer outro programa em que monstros enormes ou alienígenas andam pelas cidades (normalmente Tóquio) causando destruição, é um atrativo em particular.

Produção:

É excelente. Os dados, foco do jogo, são grande, pretos e com baixo-relevo em verde fluorescente, fácil de ver e gostoso de girar na mão antes de rolar. Existem mais dois dados (fora os 6 básicos), que são o contrário: verde-florescente com baixo-relevo em preto – estes dados só são usados quando um monstro adquire cabeças-extra, porém são da mesma qualidade que os outros.

Os cubos de energia são verdes, em plástico translúcido, e bem bonitos de ver e manusear. As cartas são de boa qualidade, coloridas e com arte muito bem feita.

Os monstros são de cartolina, e são grandes, o que foi certamente um dos motivos para que não fossem usadas miniaturas, pois elas teriam que ser igualmente grandes, o que elevaria o custo do jogo às alturas. As peças de cartolina se assentam com facilidade nas bases de plástico que vem com o jogo – e, melhor de tudo, não são estragados pela base (algo comum quando as bases têm “dentes” para prender melhor alguma peça – o sistema usado no King of Tokyo é como uma cunha: da abertura até embaixo o vão vai se estreitando, o que não danifica a peça do monstro e o mantém razoavelmente seguro, sem ficar caindo).

O tabuleiro é o ponto baixo – a cartolina usada é grossa, mas o desenho não foi impresso no tabuleiro e, sim, em um folha fina de papel que, então, foi colada ao tabuleiro. Dá para ver que é algo meio tosco.

Ainda assim, no geral, produção top.

Diversão:

Vai variar entre dois tipos de pessoas: os que não se incomodam com um jogo caótico, de falar alto, com pouco controle sobre o que fazer a longo prazo, e os que se incomodam. As pessoas do segundo tipo devem evitar o King of Tokyo como se fosse a praga. O jogo é basicamente uma versão melhorada do tradicional General. É um jogo em que não se terá total controle, ah, nem sequer médio controle, e a vitória é praticamente incidental e não fruto de uma trama elaborada.

Não dá para se importar em vencer, o esquema é perder com estilo. Tripudiar sobre os derrotados é obrigação – a glória e a fama é minha!

Ademais, minhas experiências com a expansão Power Up! mostraram que ela serviu para deixar o jogo ainda mais divertido, com os efeitos diferentes e curiosos das evoluções, então, se gostaram de jogo base, podem comprar a expansão sem medo: ela efetivamente deixa o jogo melhor, com mais opções.

Vale a compra?

Sim, vale. Dá para jogar com qualquer grupo (até mesmo crianças, mesmo que elas provavelmente não se importem com as cartas, sem ter alguma ajuda). É rápido (entre 20 a 30 minutos), acomoda até 6 participantes. Ou seja, é um jogo que tem lugar tanto para os encontros do pessoal mais rodado, quanto para jogar com a família ou mesmo pessoas sem experiência prévia em jogos de tabuleiro além daqueles medalhões tradicionais.

O que vem na caixa, mesmo com a produção de alta qualidade, só com base nos componentes, talvez não chegue a valer inteiramente o custo de US$ 39.99. Mas, considerando a relação preço x partidas jogadas, a situação se inverte. Afinal, pense no que você pagou em seus jogos e quantas vezes eles vieram para a mesa. Divida a custo pela quantidade de partidas. É bem provável que esse valor proporcional, em poucos meses em posse do King of Tokyo, esteja a favor deste. Além disso, em lojas online, o preço provavelmente será menor.

E é isso!

Abs,

Imagens, na ordem, por:
kherubim
cnidius
Appleseed54
Appleseed54

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