Elder Sign: Omens of the Deep – Olhando para o escuro abismo das Profundezas

Publicado: 31 de maio de 2017 por Tiago Perretto em Resenha
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“Não vou voltar a dormir então é melhor escrever algo sobre o que vi, pois quando o dia chegar, eu espero que as imagens sumam, como quando as névoas dos sonhos se dissipam. Eu estava andando por uma praia, mas era noite e eu não via o mar – havia somente uma escuridão de ambos os lados, na esquerda havia silêncio, na direita, o enorme rumor das ondas, e no meio uma extensa, infinita, faixa de areia adiante.

Eu não olhava para trás, talvez por saber que não restava nada lá, nenhum caminho para voltar. A trilha de areia seguia reta e eu a seguia, até que ela se curvou na direção do mar. A areia estava úmida e pegajosa, porém não havia outro lugar para ir. A maré deve ter recuado e eu fui em frente, mas comecei a afundar na areia, primeira até os tornozelos, depois lutava para continuar, coberto até a cintura. Eu tinha de prosseguir e então vi algum tipo de recife ou ilha e, de lá, vinha o som de vozes ritmadas. Eles cantavam algo, chamando alguém. Eu estava perto, afundado na areia molhada até o pescoço, e pude ouvir um nome repetido com frequência. Clamavam por Dagon, Dagon, Dagon. Então a maré retornou e eu entrei em pânico, com medo de seguir em frente e tentando inutilmente voltar. A água salgada veio rápido e cobriu minha boca, nariz e rosto. Tentei manter o fôlego, então, do negro de piche do mar vi uma criatura peixe de formas humanoide. Ela veio em minha direção e eu perdi o controle e gritei, engolindo água, sal e algas.

Eu acordei assustado, pingando suor e sufocado. Tossi engasgado, desesperado por ar. Caí da cama e me arrastei pelo chão, tossindo. Até que algo saiu de minha garganta. Era uma pequena concha, misturada com lodo arenoso escura. Deus, o que ocorre aqui? Onde eu estive?”

Extrato do diário de Roland Banks.

Augúrios da Profundeza vem com os itens esperados de uma expansão: novos itens, aliados, investigadores, etc, que podem ser usados em qualquer tipo de partida (com o jogo base e/ou com as outras expansões); e novas aventuras, Mythos, marcadores e Grandes Antigos que servem apenas para o modo exclusivo da expansão: o R’lyeh Ascendente.

No geral, o modo R’lyeh pareceu-me mais difícil do que seu predecessor, o Augúrios do Gelo, por vários motivos, o principal, para mim, sendo a primeira fase.

A primeira fase, no Gelo, é relativamente tranquila: um bom momento para acumular equipamentos e recursos. Os efeitos das cartas de fase tendem a ser incômodos, mas dá para lidar. O timming para ir para a segunda fase é mais complexo do que na Profundeza, devido ao crescendo da tempestade, contudo, no geral, a Profundeza é um verdadeiro tapa na cara logo de início: as Legiões de Abissais são uma praga – difíceis de batalhar e ainda demandam custos para serem efetivamente eliminados, ao invés de somente saltarem para outro local. E o susto que foi revelar cartas cujo custo de entrada é avançar a Perdição, e isso quando ainda considera-se a situação “tranquila”!

É certo que não tem-se que lidar com os irritantes marcadores de Tempestade, contudo, usualmente tive sucesso em liberar os locais de maior interesse e manter os outros num nível aceitável. Não é algo garantido, e às vezes a situação pode sair do controle, todavia, minha experiência é da Tempestade ser mais um incômodo manejável. Pode-se, claro, usar o mesmo argumento para as Legiões, só que sente-se o efeito delas mais rápido e perder o controle, mais fácil.

Ademais, na Profundeza os Mythos são divididos também em duas fases. E os da primeira batem muito forte. É parte da pressão que lhe empurra, mesmo alquebrado e despreparado, para ir para a próxima fase. Era quase um alívio ir para a segunda fase (e metade das minhas derrotas ocorreram durante a primeira), ainda mais se o Thule, o navio, chegasse inteiro.

 

Aí você perde dados. Na primeira fase existe uma carta que pode lhe dar uma ou duas das 3 partes do amuleto. Para cada parte que falta, perde-se um dado – vermelho, amarelo ou verde. Há aventuras, na segunda fase, que permitem conseguir novas partes, mas não há como saber quando e se elas virão, e nem é possível libertar os dados de outro modo (como seria resolvendo uma aventura ou destruindo um monstro).

Como foi no Gelo, é na segunda fase que estarão a maioria dos símbolos anciãos e as maneiras de acessar os Outros Mundos. E, como esperado, as aventuras são mais complicadas.

Há pouca trégua, com perdas constantes de sanidade, vigor e recursos (para eliminar Legiões) enquanto a Perdição avança inclemente. Após a primeira partida, uma derrota humilhante, tive aquele momento de descrença, olhando para a mesa e pensando “E dá para vencer isso?”. Dá. Só que será raro, e as derrotas, além de costumeiras, usualmente serão arrasadoras – já perdi até da maneira “gloriosa”, sem ter obtido qualquer símbolo ancião.

Augúrios da Profundeza segue o estilo do Gelo e do Portões de Arkham, porém aumenta a tensão, o perigo e a dificuldade; e a mecânica do navio Ultima Thule e dos Abissais é menos chata de lidar do que com os marcadores de Tempestade. Para quem não lida bem com os desvios da sorte (e já desgosta do Elder Sign usual) e as derrotas, fique longe. Aos demais, vale o mesmo conselho, mas aí, creio, que o chamado da aventura e para fazer o que é preciso pode ser mais forte que bons conselhos para manter-se em segurança. Assim, ao mar, amigos, ao mar!

Abs,

Crédito das imagens (em ordem):
W Eric Martin
CristiQ

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