Strasbourg – resenha

Publicado: 6 de abril de 2017 por Tiago Perretto em Resenha
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Olá!

Imagem por maeddes

O básico das regras:

Na cidade de Estrasburgo pessoas influentes disputam para obter o maior prestígio, seja através do domínio de certas guildas, seja ao agradar ao Rei ou ao Bispo. Quem, ao final, será o cidadão mais destacado de Estrasburgo?

Strasbourg não é um jogo de regras complexas. As regras abaixo são para uma partida em 5 pessoas.

De começo cada jogador escolhe uma cor e recebe um baralho composto por 24 cartas, que marcam a influência do jogador, com valores que vão de 1 a 6. Cada participante também receberá 5 cartas de objetivos – cada uma delas exigirá que seja feito algo específico (como ter 3 trabalhadores ao redor de uma determinada construção, ou ser o que mais tem trabalhadores na cidade, ou um quantidade determinada de trabalhadores na região de uma certa guilda, etc); cada objetivo cumprido dará pontos de prestígio ao seu detentor, porém cada objetivo que não foi completado dará 3 pontos negativos de prestígio ao seu detentor.

No começo de cada uma das 5 rodadas de leilões o jogador deverá:

– Revelar para si uma carta de cada vez de seu baralho pessoal;
– É permitido revelar quantas cartas o jogador quiser.

Com as cartas em mãos é possível deixá-las separadas, ou unir algumas em pilhas. O número de pilhas (mesmo que seja uma “pilha” de uma carta) será a quantidade de leilões em que o jogador poderá dar lance. O valor do lance será a soma das cartas da pilha.

Em cada rodada ocorrem 7 leilões. Ou seja, durante a partida toda ocorrerão 35 leilões. Em cada rodada os leilões serão:

1x – para a Realeza e o Bispo: aqui, quem der o maior lance, ganhará uma posição de prestígio no espaço do Rei e, quem der o segundo maior lance, ficará com a posição do Bispo. Ademais, quem ficou com o Rei poderá alocar a construção da rodada; e quem ficou com o Bispo, alocará um dos marcadores deste na cidade;

3x – para as Guildas: aqui os três maiores lances terão algum tipo de benefício. O maior lance, pode alocar um trabalhador seu na região específica da guilda na cidade, pagando o custo indicado (que vai de 0 a 5, dependendo da guilda, e pode pegar um produto da guilda; além disso, ele, o vencedor do leilão, coloca um de seus marcadores na respectiva posição de prestígio da guilda. O segundo maior lance faz o mesmo que o primeiro lugar (aloca um trabalhador e pega um produto), só que faz ambas as coisas após o jogador do maior lance. O terceiro maior lance tem que escolher entre os dois benefícios: ou aloca um trabalhador na região da guilda, ou pega um dos produtos dela. Sempre é necessário pagar o custo indicado no local para alocar um trabalhador. São cinco as guildas (Açougueiros, Armeiros, Cervejeiros, Sapateiros e Padeiros), mas há leilões para somente 3 delas por rodada;

2x – para a Venda de produtos: aqui somente o dono do maior lance pode vender quantos produtos quiser, pegando o valor dos mesmos em moedas;

1x – para a Venda especial: aqui também somente o dono do maior lance pode vender quantos produtos quiser, pegando o valor dos mesmos em moedas. A diferença para a venda usual é que o jogador coloca um de seus marcadores no espaço de prestígio dos vendedores.

Em cada leilão o jogador pode:

– Revelar uma de suas pilhas de cartas, que tornar-se-á o lance dele para aquele leilão;

– Passar a vez (não poderá mais retornar ao leilão);

– Usar um marcador de privilégio (que permite passar a vez, mas manter-se no leilão, esperando a vez retornar para ele).

Após todos os lances revelados, vê-se quem foi o vencedor com o maior lance. Em caso de empate, vence quem estiver mais perto do jogador inicial do turno (que é quem venceu o leilão anterior ou, no caso do 1º turno, quem foi sorteado). Se o lance dado por um jogador não conseguiu nada (por exemplo, ficando em 2º ou menos num leilão para vender produtos ou em 4º ou menos nos leilões das guildas), ele escolhe uma das cartas da pilha (se houver só uma carta, será esta mesmo) para colocar no final de seu baralho, permitindo que seja usada outra vez posteriormente.

Após os sete leilões, o jogador que está na posição de prestígio do Bispo aloca o marcador (a capela) deste na cidade. Em seguida, o jogador na posição de prestígio do Rei posiciona a construção na cidade. Então os jogadores ganham 1 ponto de prestígio (que são os pontos de vitória) para cada marcador seu nas posições de prestígio da cidade e aquele que mais tiver marcadores recebe um privilégio.

Com isto feito a rodada termina. Uma nova rodada de leilões será iniciada (com os jogadores pegando cartas de seus baralhos para formar novos lances). Após cinco rodadas o jogo termina e quem tiver mais prestígio, vencerá!

Imagem por fabricefab

A dinâmica do jogo:

Strasbourg oferece uma mecânica de leilão diferenciada, pois cada jogador é livre para formar seus lances da maneira que lhe aprouver. Quer muito ganhar a posição real? Colocando 3 ou 4 cartas de valor médio ou alto provavelmente lhe dará a vitória no leilão. Por outro lado isso lhe deixará em posição mais fraca em leilões posteriores (ou anteriores). Somado a isso, decide-se os lances antes dos leilões. Você não sabe o quanto os outros oferecerão e, mesmo assim, terá que decidir seus lances para todos os 6 leilões da rodada (claro que, não é preciso decidir qual pilha será para qual leilão, isso pode ser feito na hora, vendo as pilhas dos outros e até mesmo seus lances, dependendo de sua posição em relação ao jogador inicial do turno).

Isso tem similaridades com um dos mais famosos jogos de leilão – o Ra, onde seus lances são pré-definidos, restando somente a escolha de quando usá-los. Entretanto, no Ra, sabe-se quais são os valores disponíveis aos oponentes, enquanto no Strasbourg tal informação, no momento das escolhas, é secreta. Mas o escuro não é total: o número de cartas de cada tipo é limitado (há 4 cartas de cada valor: de 1 a 6), então com um tanto de atenção, é possível estimar alguns limites aos lances dos outros. Não é permitido verificar as pilhas dos outros (ver quantas são e com quantas cartas) antes de tomar as suas decisões, já que, tecnicamente, isso é feito de forma simultânea, mas na partida que joguei, foi algo comum. Boa sorte em tentar reforçar isso. O ideal é fazer com que os jogadores comprem cartas até que decidam parar. Somente quando todos tiverem parado de comprar, cada um forma suas pilhas, ao mesmo tempo – o quanto for possível, ao menos.

Tanto devido aos objetivos quanto pelas próprias limitações impostas pelo jogo (tem-se 24 cartas para 35 leilões) é necessário priorizar. Não será possível concorrer à tudo, nem mesmo pode-se contar com vitórias em mais de um leilão por rodada (às vezes, nem isso, eu mesmo venci somente 1 dos primeiros 14 leilões!). O jogo, no entanto, não chega a ser exatamente “cruel”, afinal nos leilões das guildas, até o terceiro lance ainda leva algo. Nos leilões para vender, que só o maior lance vale, tem-se três deles por rodada. E mesmo quando tudo dá errado, salva-se ao menos uma carta para o futuro, o que lhe permitirá, talvez, uma posição mais forte na última ou penúltima rodada.

Imagem por fabricefab

Portanto a sorte tem sua presença no jogo – na compra das cartas e, claro, na disputa pelos recursos -, mas, no geral, uma estratégia pode ser levada à cabo: sabe-se a ordem em que os leilões virão, quando os espaços nas guildas serão ofertados, quando os produtos poderão ser vendidos, como também qual será a construção feita na rodada (não é sabido onde a construção e a Capela serão colocadas, mas, de acordo com quem venceu o leilão do Rei e do Bispo, pode-se ter uma boa ideia de onde será, principalmente no primeiro caso, pois os espaços para as construções são limitados na cidade). Então, mesmo com o fator aleatório da compra das cartas, é possível avaliar com bom grau de precisão: se são necessárias mais cartas, ou se será preciso fazer uma pilha maior. Assim, a sorte pode ajudar ou atrapalhar, mas dificilmente será determinante.

A interação, como esperado, é constante, tanto na disputas dos leilões quanto no posicionamento dos trabalhadores na cidade e nos espaços de prestígio. Nos espaços de prestígio o troca-troca é constante, já na cidade, uma vez que qualquer coisa seja aloca (trabalhadores, construções e capelas), ela ficará ali até o final da partida. E a posição importa bastante, pois:

– cada trabalhador nos pontos ortogonais (acima, abaixo e de ambos os lados, mas não nas diagonais) em relação à uma construção, recebe os pontos de prestígio (de 2 a 6) indicados na construção;

– cada trabalhador adjacente a uma capela ganha 1 ponto de prestígio extra;

– ademais, vários objetivos exigem o posicionamento dos trabalhadores em locais determinados.

Ou seja, a competição pelos locais é usual – e, certamente, conhecendo os objetivos, virará uma luta ainda mais ferrenha.

A avaliação:

Strasbourg cumpre muito bem o seu papel de ser um jogo de leilão que mistura elementos do já citado Ra, como também do Ticket to Ride (objetivos ligados à composição espacial do tabuleiro). É um jogo recheado de decisões, sem ser extremamente pesado (difícil de entender) e não é longo (a durança prevista, de 1 hora, está bem dentro da média).

Não houve dificuldades em aprender o jogo, mesmo sendo a primeira partida de todos menos do próprio dono do jogo (e o horário que começamos, às 3h da madrugada, dão um indicativo da pequena complexidade das regras).

Como qualquer jogo de leilão, é difícil precisar, numa primeira partida, qual é o valor de determinada coisa. Então pagar exagerado ou deixar algo importante ser levado barato demais são ocorrências comuns. Só experiência no jogo resolve isso. Avaliar os objetivos é ainda mais complicado: como saber se será fácil posicionar seis trabalhadores em espaços na borda da cidade? E qual a dificuldade em colocar dois trabalhadores em cada região das guildas? Pode-se usar o bônus em prestígio como um indicativo da dificuldade (quanto maior, em tese mais complicado é de realizar), porém, em nossa partida, não pareceu exatamente assim: alguns objetivos com bônus polpudos foram feitos sem suar demais – é neste caso que entre, novamente, a experiência: então o recomendado é, antes de distribuir os objetivos, que cada um deles seja exposto, mesmo que seja com brevidade, para ciência dos participantes, ainda que, provavelmente, metade será esquecido; mas, mesmo assim, será válido para, pelo menos, dar uma noção sobre o que os objetivos pedem e o que, portanto, os outros poderão tentar durante a partida.

Imagem por cnidius

Ao final a pontuação não indicou um grande equilíbrio, o que me faz crer que a importância de manter e cumprir os objetivos, pois é isso que, principalmente, separará a pontuação dos jogadores – as outras pontuações terão efeito também, claro, mas no geral pareceu equilibrado (num momento você marca mais pontos pelas posições de prestígio e aloca seus trabalhadores em lugares melhores, para na rodada seguinte ser outro que fará isso), pois considerando que são 35 leilões, não será possível participar de todos, ainda mais ganhando algo com eles.

Portanto, em suma, um belo jogo de leilão que vai além do mero “eu dou tanto a mais”.

Resumo:

Prós
– Mecânica diferenciada para compor, previamente, os lances a serem dados posteriormente;
– Regras que permitem equilíbrio nos leilões (quem perde será, provavelmente, mais forte em leilões futuros);
– Espaço para estratégia (conduzida pelas cartas de objetivo);
– Bastante interação entre os participantes, nem que seja só olhar os oponentes digladiando-se para ganhar algo;
– Duração excelente para o que propõe-se.

Neutros
– Ausência de tema efetivo (para variar, ele está presente na arte, e só).

Contras
– Não é um porém específico do jogo, mas algo intrínseco aos jogos de leilões: lances “sem noção” podem tirar alguém do jogo, ou desestruturar a partida de outrem.

E é isso!

Abs,

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