Arboretum – primeiras impressões

Publicado: 15 de outubro de 2015 por Tiago Perretto em Resenha
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Olá!

Aviso que as impressões abaixo, como dito, são as primeiras, com base em um partida em 3 pessoas.

A mecânica é simples: em seu turno o jogador compra 2 cartas, podendo ser do baralho principal ou do descarte dos outros (ou de si mesmo); é possível dividir (uma do baralho principal e outra do descarte). Então o jogador abaixa uma carta em seu arvoredo e descarta uma carta, voltando ao número de sete cartas nas mãos. O jogo segue assim até que o baralho principal seja esgotado, pois aí o jogo encerra e vai-se à pontuação. E é na pontuação que tem-se o “pulo do gato” do jogo: primeiro porque a pontuação segue direções variadas. Vou explicar usando uma imagem que fica mais fácil.

Na imagem acima há três linhas potencialmente pontuando. As regras para pontuar são:
– a primeira carta e a última precisam ser do mesmo tipo e pontua-se cada tipo de árvore uma única vez (mesmo que haja mais de uma maneira de pontuá-la; escolhe-se então a linha de maior pontuação);
– a linha deve ser em linha ascendente de números nas cartas;
– cada carta na linha pontua 1 ponto;
– se todas as cartas de uma linha de pontuação são do mesmo tipo de árvore, cada carta vale 1 ponto extra, mas é preciso que haja pelo menos quatro cartas na linha;
– a carta 1 vale 1 ponto extra;
– a carta 8 vale 2 pontos extras;
– para pontuar o jogador precisa ter o número mais alto do determinado tipo de árvore somando os números das cartas em sua mão de sete cartas ao final da partida.

Então, na imagem acima, considerando que a pessoa pontue nos três tipos de árvores, as pontuações serão:
– a Royal Poinciana (ou, digamos, a “laranja”) poderia pontuar de duas maneiras: do número 1 ali da base até o número 8, lá no alto (para 11 pontos – 8 cartas = 8 pontos; 1 ponto extra pelo 1; 2 pontos extras pelo 8); e do número 1 até o 5 (6 pontos – 5 cartas = 5 pontos; 1 ponto extra pelo 1). Claro que não há motivo para não pontuar pelos 11 pontos, só dou o exemplo para ilustrar como é possível ter duas maneiras de pontuar o mesmo tipo de árvore;
– o Jacarandá (ou a “roxa”) pontua da carta 2 da base até a carta 6, no alto (para 5 pontos – 5 cartas = 5 pontos);
– o Lilás (ou o “azul) pontua da carta 3 da base até a 6, do mesmo tipo, no meio da formação (por 8 pontos – 4 cartas = 4 pontos; todas do mesmo tipo – 1 ponto extra por carta = +4 pontos). Está dentro das regras pontuas o Lilás da carta 3 da base até a 6 passando pela carta 5 da Royal Poinciana, mas não há motivo para isso, pois a formação só valeria, daí, 4 pontos (por 4 cartas, sem pontos extra).

Como disse, para pontuar os três tipos de árvores acima, a pessoa teria de ter o maior valor de soma entre as cartas nas mãos de todos os participantes. Para isso, todos revelam suas mãos e somam os valores das cartas dos mesmo tipo, para ver quem terá a permissão de pontuar cada um dos tipos de árvores. É possível que a pessoa tenha a maior soma de um tipo sem ter como pontuar (por exemplo, maior soma dos Lilás, mas sem ter feito uma formação de Lilás) – isso pode ocorrer só para bloquear a pontuação de outro jogador. Na contagem dos valores nas mãos, a carta 1 anula a 8 do mesmo tipo.

Ou seja, é preciso usar cartas para expandir seu arvoredo, usando pelo menos duas para fechar uma linha de pontuação, mas, também, é preciso manter certa “vigilância” acerca das cartas que os outros estão usando e descartando, pois assim, além de melhorar sua própria pontuação, é possível negar a pontuação de uma fabulosa linha de Salgueiros. Dentro disso, considerando que o jogo acaba quando todas as cartas vieram para o jogo, pode-se ir, durante a partida, vendo quais são as chances de suas linhas pontuarem (se, por exemplo, sua linha usa a carta 1, 3, 5 e 8 de um mesmo tipo, e você tem em mãos a carta 6, você sabe que, em algum lugar, ou na mãos dos adversários, ou no descarte ou no baralho, estão a 2, 4 e 7 – ou seja, sem ver a carta 7 em algum lugar, sua chance de pontuar tal linha é basicamente zero, pois estará na mão de alguém e só ela supera seu valor de 6; agora, se você comprar, digamos, a 4, terá garantida a pontuação, pois não será possível, com as cartas que faltam, superar sua soma de 10).

O Arboretum soma facilidade nas regras, com certa complexidade da pontuação, o que fornece várias possibilidades durante a partida, além de incluir um pelo naco de tensão final, com a revelação das somas para os tipos das árvores, algo que carrega alguma similaridade com o que ocorre ao fim do Parade. É um jogo com fator baixo de “ferração” durante a partida (fica em negar carta aos outros, mantendo-as na mão), mas, no final, alguém pode ser quebrado pelas cartas seguradas pelos outros, indo de uma possível boa pontuação para um amargo último lugar distante – mas, ao menos, a pessoa já deveria saber que estava correndo sérios riscos.

Uma partida pode-se alongar um tanto se os jogadores ficarem comprando os descartes dos outros, mas, naturalmente, ficará em torno dos 30 minutos propostos. A produção é bem boa, com a caixa sendo grande o suficiente para acomodar o jogo com sleeves, e a arte sendo nada menos do que excelente – bastante lindo mesmo.

Sendo rápido de explicar (só a maneira que a pontuação funciona exigirá mais tempo e poderá causar confusão nas primeiras partidas) e de jogar, o Arboretum vai bem recomendado por mim.

E é isso!

Abs,

Crédito das imagens (em ordem):
W Eric Martin
punkin312

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