Campeonato de Formula D – Budapest – 24/07/2015

Publicado: 28 de julho de 2015 por fabianopedroso em Relato
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Pódio do GP de Budapeste

Pódio do GP de Budapeste

Um dos meus maiores desejos quando conheci os jogos de tabuleiro era poder comprar algumas pistas de F1 muito famosas para o jogo de corridas Formula Dé. Na época que comecei no hobby algumas delas ainda podiam ser encontradas na internet, mas a importação era difícil, a internet ainda crescia e o e-commerce nem existia. Algum tempo se passou e aquela vontade virou sonho, as pistas pararam de ser produzidas e seus preços triplicaram, inviabilizando assim a minha compra. Hoje, alguns anos depois daquela ideia inicial, eu consegui ter acesso à todas aquelas pistas de forma “alternativa”, é claro, pois as originais continuam a ter preços exorbitantes. Com isso me veio a ideia: vou plotá-las e fazer um campeonato. Essa vontade já existia no nosso grupo, de fazer um campeonato de Formula D com as pistas novas, mas a diversão não seria a mesma sem as pistas clássicas, e por isso e negócio não foi pra frente. Agora, com o poder da tecnologia e alguns poucos reais, o campeonato sairá do papel, e junto com ele, uma nova série de postagens aqui no blog. Todas as terças feiras após as corridas trarei relatos precisos sobre a prova do final de semana. Para começar, o evento teste e prova inicial do Campeonato de Formula D da Curitiba Lúdica, na pista de Budapeste.

O evento teste e, primeira etapa, do Campeonato de 2015 de Formula D da Curitiba Lúdica ocorreu na noite de sexta feira no espaço Hot Milk, da PUC-PR, em Curitiba. Tivemos 10 pilotos inscritos, mas apenas 8 participando efetivamente da prova. Uma das equipes, com problemas regulamentais e orçamentários, acabou nem se fazendo presente no dia do evento. No entanto essa ausência não diminui em nada o brilho e a qualidade da corrida. A prova que aconteceu no circuito de Hungaroring, da Hungria, foi intensamente disputada sob chuva forte, teve momentos marcantes e apresentou no final uma dobradinha. Vamos aos detalhes da corrida.

Classificação Seca

A classificação ocorreu com clima instável e pista seca. Sem terem muito tempo para testar, as equipes fizeram os ajustes mínimos e foram para a pista cedo, com medo de que a chuva chegasse e atrapalhasse os seus tempos. Rafael “Bianchi” Martins marcou o melhor tempo do dia e ficou com a pole, seguido dos irmãos Miranda, Pedro e Leonardo, e com Marcos Khun fechando a segunda fila. No meio do pelotão estavam André Modt e Fabiano “Alboreto” Pedroso, que amargava a sexta posição enquanto seu companheiro de equipe conquistava a pole. No final do grupo vieram “Juan Pablo ” Trentini e o estreante Leonardo Oliveira.

Grid de largada

Grid de largada

Rápida e molhada

Foi assim que Leonardo Miranda descreveu a pista no dia da corrida “Rápida e molhada”, poderíamos dizer que também era perigosa, assim como uma jovem amante! E tal qual uma ninfeta sedutora, a pista de Hungaroring não demorou para fazer as suas primeiras vítimas. Fabiano “Alboreto” teve problemas na sua Minardi e demorou para arrancar – “Não sei o que aconteceu, deve ter sido problema no afogador ou vela molhada, o carro engasgou e quase morreu, mas não posso reclamar muito, já que isso me manteve longe da confusão!”

A confusão envolveu André Modt, que não teve tanta sorte assim. O piloto da No “T”, No Shade acabou levando uma forte fechada de “Juan Pablo” Trentini e se viu forçado para fora da pista. A saída o fez bater no muro e abandonar a corrida após alguns metros apenas. Visivelmente transtornado, André se recusou a fazer os exames médicos de rotina e ficou na arquibancada praguejando contra todos – “Agora que eu me fod…, eu quero que todos morram! Vou torcer pra todos baterem e quebrarem!”

Mais tarde, na segunda volta, mais um sucumbiu à volúpia da perigosa Hungaroring. Desta vez a vitima foi Marcos Khun, da Eclipse Racing. Na segunda passagem pela reta dos boxes o motor de Santana turbinado e recondicionado do carro número 0 (zero), passou gritando mais do que porco no abate e, na curva seguinte, não resistiu para explodir espetacularmente. Marcos lamentou o azar, pois ocupava a segunda posição no momento da desistência – “Eu não sei o que foi, teremos que ver na telemetria. Pode ter sido o cabeçote que mandamos rebaixar, ou a mola de carburador de Fusca que usamos, não sei. Vamos analisar e seguir adiante. Quebrou tem que consertar, vamos mandar o motor para o nosso amigo Chuleta lá da Vila Nori.”

Acidente na largada

Acidente na largada

A batalha dos pits

As escolhas de pits foram fundamentais para o resultado da corrida. A equipe Minardi foi a única que trouxe os seus 2 pilotos ao final da primeira volta, o que pareceu ser um indicador que os carros iriam para 2 paradas. A estratégia deu certo para Rafael, que seguia confortavelmente na liderança, mas não para o seu companheiro que brigava no meio do pelotão. Ao final da segunda volta o piloto Fabiano “Alboreto” surpreendeu o companheiro de equipe e decidiu não parar novamente – “Deixa comigo, que eu consigo dirigir assim mesmo, não quero parar! Parar é pra maricas!” Ao final da corrida, Rafael “Bianchi” relatou a sua reação – “Fiquei com medinho ali! Juro que me preocupou ver ele passando sem parar, mas no fim tudo deu certo e consegui aproveitar bem os pneus novos, fiz a escolha certa.”

Já o restante das equipes decidiu fazer uma única parada, na segunda volta. A estratégia quase funcionou bem para a dupla da Mirandas que soube poupar bem o equipamento no começo e estariam em posições favoráveis ao final da janela de paradas, não fosse um incidente na entrada dos boxes. Um problema de comunicação causou um caos nas paradas da equipe. O primeiro a entrar foi Leonardo que, ao ver as luzes piscando na entrada do pitlane parou o carro por uns instantes, forçando o seu companheiro, e irmão mais velho, que vinha logo atrás, a parar também. “Eu não entendi o que aconteceu com aquele maluco, quem para na entrada do pitlane?” – disse um amargo Pedro ao final da corrida. Leonardo também deu sua versão para a parada desastrosa – “Eu vi as luzes piscando e achei que tinha alguém atravessando, então parei. Onde eu moro a gente para quando o pedestre põe o pé no asfalto.” A confusão custou segundos fundamentais para a dupla e os tirou da luta pelo pódio.

Líder nos boxes

Líder nos boxes

Pilotado por mim, guiado por Deus

O destaque da corrida ficou para a pilotagem extremamente agressiva de “Juan Pablo” Trentini. Ao final da primeira volta ele já se queixava com a equipe por causa do estado dos pneus, mas decidiu continuar assim mesmo. No final da segunda volta ele, que reclamava de vibrações no carro, pode finalmente trocar os pneus. O resto do equipamento, que também apresentava alto desgaste, teria que aguentar até o final: o freio estava mais fino que uma lata de coca-cola, o bico dianteiro estava caído na entrada da curva 7, o motor falhava e soltava fumaças e ele até perdeu a bolinha de caranguejo que usava na ponta da alavanca do câmbio. No meio da terceira volta, Trentini era uma ameaça ambulante na pista, tanto é que Fabiano “Alboreto” assumiu fazer um traçado mais lento para ficar longe do adversário – “Aquilo ia desmontar! Uma roda virava pra direita e a outra seguia reto, era coisa de louco.” Já Trentini dá a sua versão para a pilotagem arrojada vista no final de semana – “Era como se eu estivesse dentro de um túnel mágico. Eu via apenas uma luz e tentava chegar até ela. Tudo à minha volta parecia congelado, parece que o tempo tinha parado. Até a cegonha tomando café com o Mussum, na curva 4 estavam congelados. Foi uma experiência surreal!” E assim, Trentini chegou ao final, com os pneus sem banda de rodagem, as luvas com furos nos dedos e a viseira do capacete trincada, mas com um lugar no pódio.

Fabiano "Alboreto" Pedroso evitando "Juan Pablo" Trentini na última volta

Fabiano “Alboreto” Pedroso evitando “Juan Pablo” Trentini na última volta

Classificação final

Ao final a equipe Minardi fez uma dobradinha com Rafael “Bianchi” e Fabiano “Alboreto” nas duas primeiras posições, e com “Juan Pablo” Trentini completando o pódio. A dupla da Mirandas teve um final de semana difícil e chegou em quarto e quinto com Pedro e Leonardo respectivamente. E quando todos já estavam se encaminhando para os seus lares chegou o estreante Leonardo Oliveira, que definiu assim o sentimento de completar nos pontos a sua primeira prova – “Vim devagar porque tava chovendo muito, e na auto escola sempre falam pra gente andar na faixa da direita. Isso me atrapalhou um pouco pra fazer as curvas, acho que vou ter que fazer diferente na próxima vez. Mas assim mesmo eu to feliz, marquei pontos pra equipe, o que é mais do que uns e outros.”

Últimos destaques e próxima corrida

Para completar a festa, o público ainda pode ver uma apresentação do mecenas do campeonato Tiago “VIP” Perretto, que usando um carro de testes fez uma apresentação especial após o treino de classificação. Na sua volta rápida ele atingiu um tempo melhor do que o da pole! Ele falou com a imprensa sobre essa experiência – “Eu quis mostrar aqui quem realmente tem valor. Não gostei de patrocinar o evento e ter sido relegado ao ostracismo pelos organizadores. Queria ver onde eles estariam agora sem as minhas canetas. Ninguém valoriza as minhas canetas.”

A próxima corrida será daqui a 4 semanas no circuito de Spa Francorschamps, da Bélgica. Até lá é esperada a entrada de mais uma equipe para preencher o grid.

Situação final do carro de "Juan Pablo" Trentini

Situação final do carro de “Juan Pablo” Trentini

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