Concordia – primeiras impressões e relato

Publicado: 22 de janeiro de 2015 por Tiago Perretto em Relato, Resenha
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CONCORDIA

Bem, este é um jogo do Mac Gerdts, o senhor rodela (i.e: rondel), de fama vinda do Navegador e Imperial. No jogo cada pessoa representa, creio, uma família, uma dinastia de romanos expandindo o Império para tudo que é lugar. Cada jogador começa com a mesma mão de cartas, cada qual com seu uso específico – tem o Mercador, que permite ganhar dinheiro e trocar mercadorias; tem o Prefeito, que permite ativar uma região e ganhar o principal produto dali e todas as construções na região ativam, produzindo para seus donos, ou ganhar dinheiro “desativando” todas as regiões outrora ativadas; tem o Arquiteto, que permite mover os colonos e construir; o Diplomata, que permite copiar a última ação utilizada por outro jogador; e outros. Em seu turno, o jogador escolhe uma carta para usar, tal carta vai para a mesa e fica nela, o jogador realiza a ação desta, e pronto, vez do próximo. Com as cartas faz-se tudo no jogo. Inclusive comprar mais cartas.

Pois no tabuleiro, além de regiões e locais, existe uma esteira de cartas: quanto mais para o começo dessa esteira, menos a carta custa; ademais, cada carta tem um custo específico, indicado na própria – então o jogador paga o custo específico da carta mais o custo do local em que ela está, para adquiri-la. Uma vez compradas, as cartas vêm para a mão do jogador. As ações dessas cartas novas são basicamente as mesmas daquelas que o jogador já começou, sendo somente um tanto melhores, ou só permitindo realizar certa ação mais de uma vez (pois, no baralho inicial, somente a carta de Prefeito tem duas cópias, todas as demais somente usa-se uma vez antes de ter usar o Tribuno para pegar todas as cartas de volta para a mão). Agora, além dessa vantagem, outra coisa importante em cada carta comprada é a qual deus ela é ligada. Ao final da partida, os deuses darão pontos para várias coisas feitas durante o jogo, e quanto mais cartas de certos deus tiver-se, mais vezes receber-se-á a pontuação. Um exemplo: digamos que Mercúrio dê 2 pontos por cada tipo diferente de construção que o jogador tiver. Eu tenho 4 tipos diferentes de construções e 4 cartas de Mercúrio. Assim, ganharei 2 x 4 = 8 x 4 = 32 pontos. Para todos os outros deuses a mesma lógica aplica-se. Então, não basta preparar-se bem, tem que estar atento para não deixar as cartas que lhe interessar passar, e nisso cria-se uma tensão legal, pois o ideal é deixar as cartas mais novas “caírem de preço”, vindo mais perto para o começo da fila, mas isso, claro, deixa-a disponível para outros por mais tempo, e nem necessariamente por um custo alto, pois se a pessoa ao seu lado compra 2, outro mais 1 ou 2, o terceiro jogador poderá adquirir as cartas que você queria já bem mais barato.

Então, precisa-se fazer várias coisas no tabuleiro (construir; adquirir produtos para construir mais e comprar cartas; ganhar dinheiro para pagar por construções – todas as construções têm um custo em materiais e em dinheiro; aumentar o número de colonos, para ter mais mobilidade, opções e porque também há um deus que dá ponto por eles; etc) e ainda pegar cartas, que têm um custo relativamente alto de materiais.

Enfim, o Concordia é um jogo complexo numa medida legal, sem ser pesado demais nem simples demais, dando aos jogadores uma série de opções a cada turno, usualmente várias delas boas, porém sempre quer-se a melhor, pois há um timming para muitas das ações, de forma, primeiro, a maximizar o efeito delas e, segundo, em relação aos outros jogadores, pois, por exemplo, se as cartas que eu quero exigem o gasto de ânforas, e nenhum jogador as têm, e eu tenho, não preciso imediatamente pegar as cartas, pois qualquer jogador terá primeiro que produzir (com o Prefeito) ou trocar (com o Mercador) para ter as ânforas, e como a cada turno somente 1 ação é feita, se alguém fizer isso, daí sim eu terei motivo para comprar as cartas. Um jogo bem interessante, mas fique esperto, pois não há mecânica de catch up para alcançar quem está na frente, e nem mesmo há um “ataque o líder”, de forma aos outros tentarem conter quem parece na frente. No máximo não ativa-se uma região em que a pessoa tem uma presença forte.

E tanto assim é que, como disse, na partida eu basicamente me danei na primeira rodada. Por algum motivo fui tomado por uma compulsão inexplicável de comprar duas cartas logo como minha primeira ação. Comprei-as. Excelente. E perdi o contato com os outros por 1/3 do jogo. Enquanto todos expandiam-se, construíam e produziam, eu labutava para ter o mínimo necessário para fazer minha primeira construção! Felizmente, para mim, era o primeiro jogo de todos, a creio que, por isso, todos deixaram alguma oportunidade passar, alguns mais de uma vez. Desse modo, consegui chegar num equilíbrio razoável, não de construções – nisso nunca alcancei os outros, pois as regiões ao redor de meus colonos já estava ocupadas e era muito caro. Mas meu erro inicial virou meu ponto de recuperação: usando uma região que me dava os recursos necessários para comprar cartas, foi isso que fiquei fazendo – comprando cartas. Eu tinha pouco, é verdade, mas se tivesse mais cartas que quaisquer outros, poderia, na base da multiplicação, alcançá-los. Um raciocínio não necessariamente verdadeiro, já que os pontos dados pelos deuses cobrem uma grande gama de coisas, e eu estava bem num único fator: diversidade – eu tinha 1 construção de cada tipo (são 5) e eram todas as 5 construções que eu tinha, uma de cada. Havia um deus que pontuava por isso, e fiquei caçando as cartas dele. Depois, notei que nos colonos não estava mal, e peguei cartas do deus que pontuava isso. Era o que me restava. E compensou muito bem! Não ganhei, mas fiquei perto, em terceiro, com 86 pontos, contra 88 do segundo lugar, em segundo, e 91 do vitorioso.

E foi isso!

Abs,

Crédito das imagens, em ordem:

ikitikat

MacGerdts

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