Space Empires: 4X – resenha

Publicado: 15 de janeiro de 2015 por Alexandre Trentini em Resenha
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“E então a frota atravessou o espaço desconhecido através de rotas perigosas, por entre nebulosas e cinturões de meteoros, desviando do horizonte de eventos de buracos negros. Os humanos ainda estavam em um espaço desconhecido e os batedores, quando voltavam com novas informações, não eram completamente precisas, mas na maioria das vezes desapareciam sem deixar vestígios e a frota jamais sabia de seus paradeiros.

O homem ainda está engatinhando em um espaço desconhecido, o serviço de inteligência militar espacial ainda é pouco eficaz se comparado aos das Grandes Guerras Mundiais. Se encontrarmos uma ameaça desconhecida além do espaço profundo não há como estimar se nossas forças serão suficientes.

-Almirante, um dos batedores retornou a frota com a informação de que estamos navegando sob território de outra civilização – afirmou o Comandante.

-Comandante, sabemos qual é o tamanho do perigo? Temos alguma informação sobre suas tecnologias ou o tamanho de suas frotas? – respondeu o Almirante.

-Não, senhor, o máximo que conseguiram estimar foi a posição de algumas frotas, mas não conseguem estimar com exatidão o tamanho dessas frotas e nem quais tecnologias possuem. Não sabemos se a civilização é pacífica, mas estimamos que nossas posições provavelmente sejam conhecidas por eles também.

-Todos nós sabemos que o combustível inteiro da frota era só de ida, mas conseguiremos enviar dois mensageiros pelo caminho seguro que traçamos de volta às nossas colônias com a informação de que encontramos uma civilização desconhecida. Estamos em uma guerra contra o desconhecido, a ordem é atirar primeiro, fazer perguntas depois.

-Mas senhor, e se eles forem pacíficos?

-E se não forem? Tenho certeza que não terão piedade de nós, essa é uma luta pela sobrevivência e a ordem é essa, preparem as armas, iremos atacar diretamente suas colônias.

Essas foram as últimas ordens antes de a frota ser dizimada, não por naves inimigas tecnologicamente superiores, mas por meras minas espaciais que explodiram assim que as naves da frota chegaram ao seu destino.”

caixa


Essa pequena história tenta mostrar o clima do jogo Space Empires: 4X, desenvolvido por Jim Krohn e lançado pela GMT em 2011.

Space Empires: 4X é um jogo de guerra ambientado em um universo de ficção científica de 1 a 4 jogadores cujo objetivo é destruir os planetas natais adversários. O gênero 4X (eXplore, eXpand, eXploit, eXterminate) se aplica bem ao estilo do jogo, onde cada civilização explora, se expande, pesquisa tecnologias e meios de se infiltrar e exterminar a civilização adversária.

Componentes e Arte

Por se tratar de um jogo da GMT, temos aqui uma caixa reforçada e envernizada de excelente qualidade. O tabuleiro é bem minimalista, a área de jogo é quadrada mas cada posição é dividida em hexágonos. A maioria absoluta dos componentes do jogo são tokens de papelão, o resto são dados de 10 faces.

A arte do jogo é bem minimalista e pouco relevante, assim como a maioria dos wargames que utilizam tokens de papelão para representar quase tudo no tabuleiro.

O destaque do jogo está nas informações encontradas no guia de cada jogador e nas folhas de controle de tecnologias, frotas e economia de cada jogador, praticamente todas as informações relevantes do jogo estão contidas de forma clara e intuitiva nesses papéis.

Space_Empires_4X_2

Tema

O tema do jogo são civilizações espaciais rivais explorando e ampliando seus domínios, pesquisando novas tecnologias e armando frotas para uma iminente invasão e submissão total das civilizações adversárias.

Apesar de as posições de suas frotas serem conhecidas, nenhum jogador tem a informação de quais tecnologias os outros jogadores possuem e nem do tamanho e de quais naves são compostas as frotas. E é por isso que todas as frotas são representadas por tokens com o mesmo fundo ao invés de miniaturas diferentes.

Regras

Space Empires: 4X possui uma complexidade relativamente grande com mecânicas simples e elegantes. A estrutura de uma rodada é basicamente 3 turnos táticos e 1 econômico.

Em cada turno tático todas as naves, civis e militares, podem se mover a distância máxima, contada em espaços hexagonais, que elas possuem de acordo com o nível de tecnologia de movimento de cada frota. Se a(s) nave(s) entrar(em) em um espaço contendo um token desconhecido ela realiza uma exploração automaticamente revelando o token, se um a nave mineradora entra em um espaço contendo um minério, ela pode capturar o minério para nos turnos táticos seguintes levar até a colônia mais próxima e por fim, se uma nave de colonização chega até um planeta habitável ela pode parar e estabelecer uma colônia.

Terminada a fase de turnos táticos, inicia-se o turno econômico, cada colônia produzirá um determinado valor em pontos de crédito, dependendo da idade de cada colônia, somando-se a isso a quantidade de minérios coletados pelas naves mineradoras. Desse total é paga a manutenção das naves militares, que é o valor em créditos igual ao tamanho do casco de cada unidade no tabuleiro. Então cada jogador secretamente estipula um valor para pagar por ser o primeiro a jogar no próximo turno, quem pagar mais joga por primeiro, mas todo o dinheiro que cada um apostou nessa fase é perdido.

Com o total que sobrou de créditos dessas operações os jogadores secretamente escolhem todos os avanços tecnológicos que pretendem fazer e a quantidade de novas naves que pretende construir em suas docas. Cada frota criada nesse momento já recebe todas as tecnologias pesquisadas, mas as frotas criadas em rodadas anteriores não são automaticamente atualizadas, para manter o controle disso, no verso da folha que cada jogador anota o andamento das rodadas e suas tecnologias pesquisadas, os jogadores anotam o nível que cada frota possui das tecnologias.

Por fim pode sobrar algum crédito que será passado para a rodada posterior, mas ainda com esse crédito é possível fazer upgrade de cada nave desatualizada que estiver no mesmo espaço que uma doca pagando 1 crédito por nível de tecnologia que se pretende avançar multiplicado pelo tamanho do casco de cada nave. Basicamente se faz isso para frotas muito defasadas que estão no tabuleiro tomando espaço e custando manutenção, senão é um processo doloroso que não vale a pena.

Apenas naves militares podem explorar espaços desconhecidos (que contenham tokens virados para baixo), ou seja, naves civis só podem entrar nesses espaços se estiverem acompanhadas de no mínimo um batedor. Os tokens representam o que existe nesse espaço desconhecido e só se descobre o que é quando efetivamente uma nave é movida para lá, exceto através de tecnologias. Podem ser planetas, nebulosas, meteoros, minérios, buracos negros nos espaços da proximidade de cada jogador, e no espaço profundo o perigo aumenta bastante, podem existir perigos iminentes que destróem toda a frota que entrar lá, planetas hostis e impróprios para colonização que contenham frotas alienígenas protegendo-os (esses planetas podem ser colonizados através da tecnologia de terraformação), mais minérios, mais buracos negros, opcionalmente podem existir buracos de minhoca que ligam de um ponto a outro buraco de minhoca e também máquinas do apocalipse que possuem uma inteligência artificial e engajam em combate com quem estiver nas proximidades. Sim o espaço profundo é bem perigoso mas só se chega ao outro lado para combater com os adversários ao atravessá-lo.

As tecnologias são todas abertas e disponíveis para os jogadores desde o começo do jogo e elas possuem vários níveis, mas o jogador só pode comprar um único nível das tecnologias por rodada. Elas possuem funções variadas que são, em resumo, aumentar a movimentação, ataque, defesa, possibilitar construção de naves maiores, aumentar a capacidade de produção de cada doca ou dar habilidades especiais para determinados tipos de naves.

Além do módulo inicial ainda existem as regras avançadas que aumentam ainda mais as perspectivas e estratégias presentes no jogo, com unidades mais avançadas, caças que precisam estar presentes juntos com um cargueiro ou raiders que possuem tecnologia de invisibilidade e conseguem transpassar territórios com frotas militares sem serem vistos. Possibilidade de armar minas espaciais ou criar naves varredoras de minas para detectá-las. Na parte civil existe a possibilidade de construir pipelines de naves mercantes que ligam as colônias ao planeta natal aumentando o ganho de dinheiro em cada rodada e permitindo uma movimentação maior das naves que utilizarem essas rotas comerciais.

Os combates são resolvidos de forma bem simples, quando uma ou mais naves se movem para um espaço contendo uma frota inimiga, todos revelam os tokens escondidos e um combate se inicia imediatamente, cada nave possui uma iniciativa que em ordem decrescente vai de A a E, as naves A atiram primeiro, depois as B e assim sucessivamente, empate é decidido pelo valor da tecnologia tática de cada um e se ainda assim houver um empate a defesa vence o desempate. Para cada nave indica-se qual o alvo e rola-se um dado, cada nave possui um valor de ataque que se o dado for menor ou igual a ele é considerado acerto, entretanto a nave que está defendendo tem um valor de defesa que soma o valor do dado além de modificadores de ataque e defesa que cada jogador possuir em suas naves de acordo com a tecnologia pesquisada por cada um, que também é secreta até que se revele necessária. Naves com casco igual a 1 são destruídas com um único acerto, naves maiores com casco maior conseguem absorver a quantidade de danos igual ao valor do casco menos um.

Se uma frota militar inimiga se encontra no mesmo espaço que um planeta ou naves civis sem proteção, as naves civis são todas destruídas e o planeta é bombardeado por cada nave uma única vez por turno, para cada acerto a colônia perde um nível de produção, se ela chegar no nível mínimo e receber mais um dano, ela é completamente destruída, colônias que permanecerem cercadas por naves inimigas no final do turno tático não dão ganho de dinheiro no turno econômico. Se o planeta natal do adversário for bombardeado e completamente destruído, o adversário está eliminado, se todos os adversários estiverem eliminados, o jogador que sobreviveu é o vencedor.

Apesar de possuir essa quantidade de detalhes nas regras, todos são bem fluídos e lógicos e a única coisa que é preciso sempre lembrar é o funcionamento da rodada: 3 turnos táticos e um econômico. Existem várias regras opcionais que ajustam o nível de dificuldade do jogo perante o tabuleiro e existem cenários para jogar em modo solo.

Fluidez e tempo de duração

O jogo é excepcionalmente recomendado para 2 jogadores, apesar de poder ser jogado em mais jogadores, irei comentar sobre o tempo de duração em apenas 2 jogadores, pois foi a única forma que joguei Space Empires: 4X até agora.

O jogo é bem fluído especialmente no começo, é recomendado fazer turnos paralelos, pois, como cada um está inicialmente explorando seu espaço nas proximidades de cada planeta natal e não se aventurou ainda no espaço profundo, não há diferença nenhuma sensível em respeitar a ordem do turno. Depois, quando efetivamente a ordem do turno importar para verificar ações e reações de cada jogador, aí sim o jogo irá partir para turnos separados e graças a esse aspecto, de no começo poder fazer os turnos em paralelo, o jogo é muito fluído.

O tempo de duração pode variar de 3 a 4 horas, mas a parte boa desse jogo é que você pode desistir dele se achar conveniente, então naquele momento que você pensa que o adversário irá te pressionar e entrar numa espiral que não tem mais volta, você pode entregar o jogo.

Estratégia

Space Empires: 4X é um jogo altamente estratégico, apesar de todos os combates envolverem o uso de dados, está a cargo de cada jogador desenvolver o tamanho de suas frotas e suas tecnologias de forma apropriada para otimizar os efeitos dos combates e se sair vitorioso.

É um jogo que não deixa muita margem para desenvolver tudo o que gostaríamos, então manter o foco em uma premissa e seguir por ela até o final é essencial. Você pode querer fazer frotas de naves grandes e poderosas ou frotas numerosas de caças e cargueiros pelo mesmo custo, mas que possua um fator e comportamento diferente. Pode investir em movimento e invisibilidade para surpreender o adversário ou simplesmente investir pesado em ataque e defesa para aumentar suas chances nas rolagens de dados.

É importante ressaltar que ficar acomodado muito tempo em seu sistema natal é um prato cheio para o adversário invadir e, mesmo que tenha perdas, distraí-lo por um bom tempo. Então é crucial planejar uma invasão assim que achar prudente para evitar que o adversário tenha recursos para fazer a guerra ir para seu sistema natal antes.

Rejogabilidade

Apesar de as tecnologias serem sempre as mesmas, o mapa sempre é diferente e isso pode alterar bastante o andamento de cada partida, por isso eu diria que a rejogabilidade é média/alta.

Vários recursos no jogo estão disponíveis de forma modular, ou seja, podem ou não ser incluídos e eles também alteram vários aspectos, também ajudando a garantir um fator alto de rejogabilidade. Existe uma expansão para o jogo chamada Space Empires: Close Encounter que acrescenta ainda mais variabilidade no jogo.

Preço

O preço do jogo varia de 40 a 45 dólares sem contar o frete, não é um jogo exatamente barato pelos componentes que vêm com ele, que apesar de terem qualidade no padrão da GMT, não são compostos de miniaturas ou arte espetacular que justifique o preço, mas certamente é um jogo com um design de qualidade e que vale o investimento para quem gosta de jogos de guerra e do tema.

Conclusão

A fórmula de sucesso do jogo é manter a jogabilidade fluída com regras simples e eficientes e o grande destaque está no fato de tanto as frotas quanto as tecnologias serem completamente secretas e desconhecidas pelos adversários. Por outro lado é um jogo recomendado apenas para jogadores honestos, pois existe uma facilidade enorme em trapacear, apesar de sempre poder ser solicitada uma contabilidade, é um recurso que demanda tempo e é preferível haver confiança entre os jogadores.

Space Empires: 4X certamente não é um jogo para qualquer um, é um jogo de guerra e, em essência, muitas pessoas não gostam de jogos de guerra. Além disso é um jogo que funciona melhor em 2 jogadores e tem uma duração relativamente longa que nem sempre é o desejado.

Como em todo jogo de guerra, apesar de a estratégia empregada ser muito importante, é altamente dependente de sorte nos combates e as vezes as rolagens de dados podem frustrar alguns jogadores.

Mas se você gosta do tema de exploração espacial e ficção científica e gosta de wargames, Space Empires: 4X é um excelente título que recomendo fortemente.

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