Camel Up – resenha

Publicado: 19 de dezembro de 2014 por Alexandre Trentini em Relato
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Camel Up é um jogo de Steffen Bogen lançado em 2014 que venceu o prêmio alemão Spiel Des Jahres.

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Camel Up é um filler que conquista o jogador pela simplicidade de regras, tempo de jogo curto (aproximadamente 20 minutos) e arte muito bonita do artista Dennis Lohausen, sem contar seu poder de escalonar de 2 a 8 jogadores em uma partida sem quase nenhum aumento no tempo de jogo.

Basicamente cada jogador assume um personagem que é um apostador em uma corrida de camelos em volta de uma pirâmide, a corrida dura apenas uma volta e vence quem ao final da corrida obtiver mais dinheiro com as apostas. Mas essa corrida tem um tom sarcástico e divertido, os camelos se empilham um nos outros para tentarem se mover usando os camelos em baixo deles.

São 5 camelos de cores diferentes que são movidos através da rolagem de dados de mesmas cores que camelos, mas esses dados são rolados de dentro de uma pirâmide que tem um dispositivo que solta um dado aleatório por vez. Portanto qual camelo vai mover em qual momento é uma informação difícil de prever e a graça está na aposta dessa incerteza.

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O jogo já começa com os camelos correndo em posições iniciais empilhados na primeira, segunda ou/e terceira posição do circuito, dependendo da rolagem de cada dado que é de 6 faces contendo o valor 1, 2 ou 3 em proporções iguais, a partir daí cada jogador em sua vez, seguindo sentido horário, pode fazer uma das 4 ações:

1) Pegar um tile de pirâmide e usar a pirâmide para rolar um dado e mover um camelo. Se o camelo a ser movido está embaixo de outros camelos, ele move todos os camelos que estão em cima dele junto com ele, se a posição final que ele parar já possuir um ou mais camelos, ele se empilha em cima desses camelos. Quem está vencendo a corrida é quem está na frente e mais alto na pilha (se a posição da frente tiver camelos empilhados), quem está perdendo, analogamente é quem está mais atrás e embaixo da pilha (se a posição de trás tiver camelos empilhados).

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2) Colocar ou mover o seu tile de deserto/oásis em alguma posição da pista. Cada jogador no começo do jogo recebe uma peça de dois lados que em um lado mostra um deserto e no outro um oásis, o camelo ao terminar seu movimento em uma peça com um oásis anda mais uma posição, ao terminar o movimento em um deserto, volta uma posição e volta embaixo de outros camelos que estão na posição que ele voltou. Em ambos os casos o dono do tile recebe uma Libra Egípcia imediatamente quando algum camelo termina seu movimento nesse tile. É importante ressaltar que não é possível colocar o tile na primeira posição do circuito, em nenhuma posição onde já exista um ou mais camelos e em nenhuma posição adjacente a outro tile de deserto ou oásis.

3) Apostar no ganhador da etapa. Cada etapa é composta pela rolagem dos 5 dados, quando todos os camelos se moverem (todos os dados estão para fora da pirâmide) completa a etapa. As apostas em cada cor são de 5, 3 ou 2 Libras Egípcias, o jogador pega sempre a aposta no topo da pilha, ou seja, o primeiro que apostar em um camelo tem a chance de ganhar mais dinheiro se ele vencer a etapa.

4) Apostar no vencedor ou no perdedor da corrida, opcionalmente o jogador pode apostar em quem ele pensa que vai vencer todo o circuito ou em quem vai perder, colocando a sua carta da cor do camelo virada para baixo no espaço indicado.

Ao final de cada etapa, verifica-se qual camelo está na frente, cada jogador ganha o dinheiro indicado na ficha de aposta por etapa, se o camelo apostado venceu, ele ganha o prêmio inteiro, se ele ficou em segundo, ganha apenas 1 Libra Egípcia, se ficou em qualquer outra posição o jogador perde 1 Libra Egípcia, adicionalmente para cada tile de pirâmide que cada jogador possuir, ele ganha 1 Libra Egípcia. Os jogadores não estão limitados a uma única aposta, eles podem apostar quantas vezes quiserem em quantos camelos quiserem, respeitando o fato de que cada ação ele só poderá fazer uma única aposta. Então todos os tiles de aposta, tiles de pirâmide são devolvidos para as pilhas e os dados são devolvidos para a pirâmide, iniciando nova etapa.

O jogo termina quando o primeiro camelo cruzar a linha de chegada, nesse momento é realizada a pontuação da etapa mais uma última vez e então as cartas das apostas do ganhador e perdedor da corrida são viradas, e em ordem resolvidas, o primeiro que apostar no camelo vencedor ganha 8 Libras Egípcias, o segundo 5, o terceiro 3, o quarto 2 e os subseqüentes 1, se a carta revelada mostrar um camelo que não venceu, o jogador deve pagar 1 Libra Egípcia para o banco ao invés de receber, analogamente o perdedor absoluto da corrida ocorre a mesma coisa. Depois cada um soma todo o dinheiro recebido e o vencedor é quem tiver mais dinheiro.

Conclusão

É um jogo interessante, mas a falta de controle mais preciso pode incomodar alguns, porém a partir do momento que as primeiras rolagens de dado acontecem em cada etapa, é possível prever com mais segurança os vencedores de cada etapa. Os tiles de deserto e oásis servem para o jogador tentar manipular os resultados ou ao menos criar uma situação mais caótica. O fato de os camelos empilhados em cima andarem junto com o que é movido pelo dado fazem com que a previsibilidade do jogo seja um pouco menor e evitam que exista uma situação em que um camelo fica muito atrás ou um dispara muito na frente, entretanto essas situações podem ocorrer em algumas partidas e o timming das apostas pode definir o vencedor.

Apesar de ser um jogo de aposta, ele é de baixo risco, visto que a perda de dinheiro é mínima caso os camelos não vençam, o que agrada muito o jogador casual e as crianças que certamente serão atraídas pela arte colorida e a linda miniatura de pirâmide de papelão prensado.

Com regras simples e tempo de duração curto certamente é um jogo que é fácil de ver mesa mesmo entre jogadores não tão casuais.

O jogo é altamente escalonável indo de 2 a 8 jogadores sem aumentar muito o tempo de jogo, entretanto jogar em muitas pessoas torna o jogo bem mais caótico do que deveria e em poucas pessoas, apesar do controle ser maior, também não é tão indicado, pois a graça desse jogo está em ter um pouco de imprevisibilidade e risco, tornando 4 ou 5 o melhor número de jogadores para esse jogo.

Com relação a premiação Spiel des Jahres, joguei também o Splendor e ainda não tive oportunidade de testar o Concept, ambos indicados ao prêmio que acabou sendo vencido pelo Camel Up. Prefiro o Splendor ao Camel Up por ser mecanicamente mais elegante, porém entendo o motivo pelo Camel Up ter vencido o prêmio: seu alto fator de diversão.

E vale a pena comprar? Bem, é um jogo que será fácil ver mesa, principalmente entre jogadores mais casuais, eu diria que vale, se estiver disposto a pagar cerca de 27 dólares, não é o maior primor de jogo que existe, ainda mais considerando que o jogo possui poucos mecanismos de controle e manipulação da partida, a brincadeira acontece mais em análise de probabilidade dos jogadores. Mas pelo curto tempo de duração, capacidade de escalonar de 2 a 8 jogadores, regras simples e jogabilidade simples eu diria que vale ao menos conhecer.

Créditos das imagens 1 e 2: http://www.pegasus.de

Créditos da imagem 3: Daniel Danzer

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