Colossal Arena – resenha

Publicado: 16 de outubro de 2014 por Tiago Perretto em Resenha
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“Três no Titan.”

“Mesmo? Ouvi dizer que ele está cansado da batalha anterior. Muito esforço para superar o Wyrm, sabe?”

“Ah, sim. Foi uma bela luta aquela.”

“Acredito que o Magus é a aposta mais segura.”

“No Magus?”

“Sim. Ouvi dizer que ele tem uma carta na manga, sabe?”

“Ah.”

COLOSSAL ARENA – O JOGO

(Cortesia de Rob Robinson)

Em Colossal Arena, os jogadores assumem os papéis de apostadores/apoiadores que lutam na dita arena. A dinâmica do jogo é simples, ainda que o jogo em si não seja.

A princípio são selecionadas 8 criaturas entre as 12 que vem no jogo (Ettin, Amazona, Unicórnio, Magus, Colosso, Titan, Troll, Wyrm, Serafim, Demônio, Górgona e o Ciclope). Cada criatura possui uma capacidade específica, que é ativada quando uma carta é colocada nele por aquele jogador que é o seu apoiador (apoiador = aquele que mais apostou na criatura). Assim, se eu apostei 4 no Colossus durante a primeira rodada, e outro jogador apostou 3 na segunda rodada, o apoiador do Colossus sou eu.

(Cortesia de Program Terminated)

Não há dinheiro no jogo – o valor de uma aposta reside em quando ela foi feita.

Aposta secreta vale 5;

Apostas na 1ª rodada valem 4;

Apostas na 2ª rodada valem 3;

Apostas na 3ª rodada valem 2;

Apostas na 4ª rodada valem 1;

Apostas na 5ª rodada valem 0.

A primeira ação que cada jogador tem no jogo é a possibilidade (não uma obrigação) de fazer uma aposta secreta, cujo valor é 5. O jogador escolhe entre uma das cartas que tenha na mão e a põe de lado, com um marcador de aposta em cima. Durante a Fase de Apostas de quaisquer de seus turnos, o jogador pode revelar a aposta secreta que ele fez. Usualmente isso é feito para assumir a condição de apoiador de uma determina criatura. De outra forma, a tendência é manter a aposta em segredo, para que os oponentes não tomem ações diretas para eliminar a criatura que mais lhe renderá pontos.

Uma criatura só pode receber 1 aposta por rodada. Ou seja, se alguém apostou na Amazona na 1ª rodada, ninguém mais poderá apostar nela naquela mesma rodada, somente na seguinte, por um valor menor. O jogador pode fazer até um máximo 5 apostas e não pode trocá-las (exceto pelo uso da habilidade do Colossus).

Ao final das 5 rodadas (cada rodada termina quando uma criatura é eliminada) ou quando a pilha de cartas de compra é exaurida, o jogo termina. As apostas secretas são reveladas e o jogador marca 1 ponto por cada 1 no valor das apostas das criaturas que permaneceram em combate.

Exemplo: se o jogador manteve a aposta secreta (5), uma aposta da 1ª rodada (4) e duas da 3ª rodada (3 cada) a pontuação final dele será de 15 pontos.

Quem tiver mais pontos, vence.

O COMBATE – OH, O SANGUE, TANTO SANGUE

Ok, nem tanto. Para entender o “combate” vamos primeiro ao turno de jogo:

Apostar;

Colocar uma carta em uma das criaturas (e usar o poder dela, se quiser, se for o apoiador da mesma);

Comprar cartas até o limite da mão;

Checar para ver se alguma criatura foi eliminada.

(Cortesia de Josh P.)

Cada jogador realiza essas 4 fases e passa a vez para o próximo jogador. Não há, assim, a figura do primeiro jogador. Há aquele que começa o jogo e, depois disso, a ordem horária é que manda na coisa.

As cartas que os jogadores usam têm valores numéricos que vão de 0 a 10. Para uma criatura ser eliminada, todas elas têm que ter uma carta e uma delas têm que ser a de menor valor. Se houver empate no menor valor quando ocorrer de todas as criaturas terem uma ou mais cartas, a rodada prossegue até o empate ser desfeito.

(Cortesia de Jong Ryul Park)

As cartas colocadas têm que ser do mesmo tipo de criatura: assim, uma carta de Ciclope de valor 5 só pode ser colocada no Ciclope. A exceção são as cartas de Espectador, que podem ser colocadas em qualquer criatura.

Além disso, cartas podem ser cobertas por outras. Ou seja, se eu colocar uma carta de valor 7 no Serafim, e o jogador seguinte colocar uma de valor 2, a que está valendo é a de valor 2.

Portanto, os jogadores tentarão deixar as criaturas em que apostaram “vivas” (com os maiores valores possíveis) para evitar a eliminação dessas e a perda da aposta. A questão é que há uma única carta de cada tipo – então, se você usar a carta de valor 10 do Ettin, não haverá mais carta de valor 10 (exceto a de Espectador) para colocar nele.

O jogo pode se tornar, de certa forma, semi-cooperativo. Se você apostou na 1ª rodada no Troll, e eu apostei no Troll na 2ª rodada, ambos iremos trabalhar juntos para tentar manter o Troll na disputa até o final do jogo, pois disso depende nossas apostas. Esse é um fator bastante interessante do Colossal Arena: lutar sozinho para sustentar uma criatura, ou se juntar a outro, mesmo sabendo que este outro ganhará mais do que você (no exemplo acima, eu marcaria 3 pontos, mas meu adversário marcaria 4) com a resistência da criatura?

Outras partes do que tornam esse jogo recheado de estratégia são: qual criatura apoiar (para usar a habilidade especial dela)? E em qual criatura colocar a carta? Esta última escolha parece evidente: basta colocar as apostas mais altas nas criaturas das quais tenho as cartas mais altas. Mas e depois disso? Adianta colocar uma carta de valor 10, para que o jogador seguinte a cubra com uma de valor 1? É importante também considerar em que momento todas as criaturas terão uma carta. Se falta somente uma criatura, é a sua vez e há 3 jogadores, você pode terminar a rodada ali. Mas e se for uma das criaturas em que você apostou que está com o menor valor? Então o certo é reforçá-la? Ou enfraquecer ainda mais outra criatura? Porém, se fizer isso, a decisão de qual criatura será eliminada passará ao jogador seguinte, que poderá preencher todas com uma carta e a eliminação ocorrerá. Se ele não o fizer, a vez passa ao outro, e em quais ele está apostando? Quem ele quer manter e quem ele quer eliminar?

São várias questões, feitas, refeitas, respondidas e refeitas novamente. Esse é o jogo.

E É BOM?

Não é dos jogos mais interessantes que têm por aí. Mas é bom sim. É daqueles jogos para quem gosta de jogar tanto o jogo quanto as pessoas que participam. Ameaçar, blefar, atrapalhar e analisar os outros é parte integrante da brincadeira.

Tem que gostar disso e não se incomodar com o estilo “tome isso!” do jogo.

(Cortesia de Martin Ralya)

Se soou como algo que lhe atrai, vá em frente! Não é um jogo caro, a duração é curta, a arte é bonita e mesmo pessoas com pouca experiência podem se divertir e jogar já a 100% (desde que bem explicado) logo na primeira partida (mesmo que seja mais para o fim, no começo às vezes a situação ainda parece confusa, em parte por causa dos 8 poderes das criaturas).

Ah, sim, este é um jogo do Reiner Knizia. Isso pode ajudar ou atrapalhar, você escolhe!

E é isso!

Abs,

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