Apoiada, a coragem nasce até mesmo naqueles que são muito covardes.

Ilíada, Homero

ILIAD – O JOGO

Cortesia de Ketty

Neste jogo os participantes representam comandantes gregos envolvidos na famosa Guerra de Troia durante uma série de cercos contra a cidade de Troia.

Então, ainda que pareça que os jogadores lutam entre si, em verdade, eles estão do mesmo lado, batalhando, sim, pela fama, glória e pelo favor dos deuses. É a busca para se tornar o maior herói grego quando da queda de Troia.

Pois bem, a batalha ocorre da seguinte forma:

1) Cada jogador recebe 12 cartas, que formam a mão inicial;

2) O número de cartas de vitória, de acordo com o tanto de jogadores, é revelado;

3) Vê-se qual será o tipo de cerco;

4) Inicia-se a batalha, com o primeiro jogador (aleatório de começo e, a partir da 1a batalha, quem começa é aquele que venceu a batalha anterior) que deve: a) escolher uma carta e depositá-la na mesa, ou b) utilizar a capacidade de uma carta. Feita uma das duas ações, a vez passa ao jogador seguinte.

5) E assim vai até o término da batalha quando todos os jogadores passarem (cerco Thanatos) ou quando um jogador tiver a maior força no início do próprio turno (cerco Gorgon).

CARTAS DE BATALHA

Após a primeira mão de 12 cartas, em batalhas subsequentes, os jogadores recebem somente 3 novas cartas. Assim, é necessário saber quando lutar, quando ficar de fora, e o quanto investir no caso de estar engajado em uma batalha.

Esse sistema serve como uma boa mecânica de equilíbrio, pois ainda que um jogador possa massacrar os adversários ao sair com cartas melhores, nas batalhas seguintes é provável que os outros tenham mais cartas e possam, com isso, não somente superar cartas melhores, como ainda vencer usando menos cartas e ainda ganhar cartas de vitória mais valiosas.

É aqui que reside a principal “graça” do jogo.

As cartas são:
Hoplitas: são os soldados e têm valores que vão de 1 a 4. A força deles está em formar a falange, em que os valores das cartas são somados e então multiplicados pelo número de cartas na falange;

A falange (cortesia de Homo Ludens)

Arqueiros: têm valor de combate 1, mas sua função real é a de eliminar outros Arqueiros e os Hoplitas, enfraquecendo as falanges;

Bigas: têm valor de combate 3, e podem tanto eliminar Arqueiros ou Hoplitas, como também são as únicas cartas que podem ser usadas para ataque diretamente da mão, sem terem de ser colocadas na mesa antes;

Paliçadas: impedem o ataque (repentino ou não) das Bigas;

Elefantes: dobram o valor de combate de até duas cartas (Arqueiros ou Hoplitas) que sejam colocadas sobre ela. Além disso, Arqueiros ou Hoplitas em cima de Elefantes não podem ser atacados por outros Arqueiros ou Bigas – é necessário, primeiro, eliminar o Elefante;

Cortesia de Ricardo Rodrigues

Balestras: eliminam Bigas (que estejam na mesa, não da mão do jogador) e Elefantes;

Cavalos de Troia: permitem que cartas de Arqueiros e Hoplitas sejam colocadas de face para baixo em cima dela. Tais cartas são somente reveladas ao final da batalha e dispostas da maneira que o jogador desejar (até mesmo formando falanges), ou se for destruído, e neste caso as cartas que estejam no Cavalo de Troia são espalhadas, sem poderem formar falanges ou serem postas em Elefantes;

Catapultas: eliminam Paliçadas, Balestras, Cavalos de Troia e outras Catapultas.

Cortesia de Vialiy

CARTAS DE VITÓRIA

São de 3 tipos:
– Os trirremes, cujos valores vão de 1 a 3;

– As cidades, cujos valores vão de 1 a 3;

– A Helena de Troia (carta única), de valor 5.

O jogador com o maior valor em Trirremes adquire o favor de Poseidon (que vale 2 pontos). O jogador com o maior valor em Cidades adquire o favor de Atena (que vale 2 pontos). Os favores podem mudar de mãos se o jogador for superado em valor de cartas de um determinado tipo; em caso de empate no valor, o favor fica com aquele que o detinha antes.

O vencedor da batalha também leva o marcador de Agamenon, que vale 1 ponto.

O jogo termina quando um jogador alcançar o limiar de 12 pontos.

Cortesia de Ricardo Rodrigues

TIPOS DE CERCO

São dois tipos:

Thanatos: neste tipo de cerco o combate vai até que todos os jogadores tenham passado a vez (ou seja, sem usar ou colocar uma nova carta). Quando o jogador passar, ele coleta uma carta de Herói, sendo que o primeiro que passar pega o Herói de maior valor, o segundo que passar pega o segundo Herói de maior valor e assim em diante. O jogador que tiver o maior valor de combate vence e pega uma carta de vitória. As outras cartas de vitória são pegas na ordem: o 2o com maior valor de combate escolhe uma entre as que sobraram, depois o 3o e assim até que não hajam mais cartas de vitória. O que tiver o menor valor de combate, pega a carta de Thanatos, que aplica uma pontuação negativa ao jogador. Para a batalha seguinte, viram-se novas cartas de vitória, e os Heróis são devolvidos;

Cortesia de Ricardo Rodrigues

Gorgon: neste tipo de cerco, vence o jogador que, no começo do próprio turno, tiver uma força de combate maior que todos demais. A batalha termina imediatamente e o jogador coleta uma carta de vitória. Os demais não ganham nenhuma carta de vitória e, portanto, para a batalha seguinte, só uma nova carta de vitória é aberta. Quando o jogador passa, está fora do combate, e as cartas que por ventura já tenha abaixado, são perdidas – o jogador também não pega nenhum Herói. As cartas dos Cavalos de Troia não podem ser usadas neste tipo de cerco.

Cortesia de Ricardo Rodrigues

De começo haverão mais cercos do tipo Thanatos do que Gorgon. Mas, com o passar das batalhas, como as cartas de Thanatos são pegas pelos jogadores que ficaram em último, as mesmas não mais retornam. Assim, é bem possível que as últimas batalhas sejam todas do tipo Gorgon, algo que é bastante interessante, pois não somente é um fator a ser considerado para a estratégia, como também acelera o jogo, impedindo-o de se alongar além da conta.

E É BOM?

Sim, é sim. A duração da partida é o ideal (entre 45 min a 1h) e o interesse de todos é mantido, pois como falei antes, ninguém está realmente fora da partida, mesmo que alguém esteja disparado na frente. Tanto porque existem 5 pontos transitórios (Agamenon, Atena e Poseidon), como também, poupar-se em uma batalha pode permitir, digamos, duas vitórias seguidas, invertendo a maré. A força não é cumulativa, assim, ter esmagado a concorrência numa batalha em nada garante a supremacia na seguinte – o contrário, por sinal, é o mais provável.

As cartas são bem equilibradas, pois mesmo um Hoplita de valor 1 tem mérito quando unido em uma Falange.

Não dá para dizer que o jogo esteja pingando com tema, mas ele existe e tem uma relação bem razoável com a dinâmica da partida.

A arte das cartas é bonita e as mecânica, uma vez compreendida, flui com facilidade, permitindo que mesmo jogadores inexperientes possam participar de forma significativa.

E é isso!

Abs,

Anúncios
comentários
  1. Cesar Cusin disse:

    Ótimo artigo… parabéns!!! Só uma dúvida… qdo. estão (Arqueiros ou Hoplitas) em cima do elefante não tem lá um esquema de matar a carta mais alta da falange?

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s