Ticket to Ride, 10 anos de pura diversão!

Publicado: 28 de agosto de 2014 por Alexandre Trentini em Diversos, Resenha
Nesse artigo de hoje irei comentar toda a trajetória desse jogo famoso e premiado e todos os jogos da família Ticket to Ride que foram publicados depois dele ao longo desses 10 anos de sucesso.
 
ttr logo
 

 
Ticket to Ride é um jogo criado por Alan R. Moon em 2004 e publicado pela Days of Wonder. É um jogo cujas principais características é ser divertido com regras simples e eficientes.
 
No jogo cada jogador tem o objetivo de completar rotas de trem em um mapa, essas rotas são escolhidas pelos jogadores no início do jogo, mas o jogador tem a opção de comprar mais rotas para serem construídas, se o jogador não completar determinada rota que estava em sua mão, então ele perde os pontos ao invés de ganhá-los, portanto é importante escolher minuciosamente a quantidade e dificuldade da rota que deseja manter.
 
Cada jogador inicia com 45 trens e quando alguém possui 2 ou menos trens a última rodada é ativada terminando no jogador que ativou-a.
 
No mapa as cidades são interligadas por possíveis conexões de trem que os jogadores estarão disputando e construindo seus trilhos em cima. Essas conexões entre cidades possuem tamanhos e cores variados e correspondem às cores de cartas de trem que os jogadores podem comprar que estão disponíveis na mesa de compras, para o jogador clamar uma conexão de rota ele precisa trocar uma quantidade de cartas igual ao tamanho e cor da conexão.
 
Em seu turno o jogador pode fazer uma das 3 ações:
 
1) Comprar 2 cartas da mesa de compras composta por 5 cartas abertas ou/e da pilha fechada ou comprar apenas uma locomotiva (carta coringa que vale como qualquer cor) que esteja aberta;
2) Clamar uma conexão de rota entre duas cidades;
3) Comprar mais 3 objetivos e ficar com pelo menos 1.
 
Partindo desse princípio básico presente em todas as versões, o jogo teve algumas derivações, versões novas e expansões que acrescentaram algumas regras ou mudaram algumas existentes.
 
Ticket to Ride (2004)
 
Ticket to Ride Capa
 
O primeiro jogo lançado em 2004 vem com um tabuleiro que representa o mapa dos Estados Unidos e é jogado de 2 a 5 jogadores, as regras são exatamente as descritas acima. Cada jogador começa com 4 cartas coloridas de trens na mão e 3 objetivos para escolher, pelo menos 2 ele tem que manter e um ele pode, se quiser, descartar. Ao completar cada conexão o jogador imediatamente pontua de acordo com o tamanho da conexão (conexão de apenas 1 trilho vale 1 ponto, 2 trilhos vale 2, 3 trilhos vale 4, 4 trilhos vale 7, 5 trilhos vale 10…).
 
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Ao final do jogo verifica-se quais rotas cada jogador cumpriu, somando os pontos equivalentes para cada jogador, subtraindo os pontos de rotas não cumpridas que foram mantidas pelo jogador. Quem possuir o maior caminho contínuo ganha um bônus de mais 10 pontos. Vence quem tem mais pontos.
 
É um excelente jogo com regras simples e eficazes, um mapa que funciona muito bem em vários jogadores, mas não tão bem com números reduzidos, a maior crítica a ele é a falta de tickets (rotas), são apenas 30. Mas a expansão USA 1910 lançada em 2006 e Mystery Train, uma promo lançada em 2004 além de aumentarem a quantidade de tickets, acrescentando mais 39 tickets, mudam alguns aspectos do jogo podendo dar bônus para quem tem mais rotas feitas por exemplo.
 
É um jogo que tem uma síntese perfeita e transmite uma diversão bem inteligente.
 
Ticket to Ride: Europe (2005)
 
Europe Capa
 
Após o enorme sucesso de Ticket to Ride, em 2005 uma nova versão foi produzida, TTR: Europe agora trás um mapa bem condensado das principais cidades da Europa. As regras primárias se mantém inalteradas, mas agora temos alguns incrementos e mudanças.
 
europemap
 
A primeira delas é com relação às cartas de Ticket, agora temos 40 rotas curtas e 6 rotas longas, que valem mais pontos, diferenciadas por fundo da carta, cada jogador recebe 1 rota longa e 3 curtas, deve manter pelo menos 2 rotas na mão e descartar o que não desejar (incluindo as rotas longas). Já aqui temos uma melhoria clara com relação ao primeiro jogo, temos mais tickets e mais opções.
 
A segunda mudança é que agora no mapa temos Balsas e Túneis, que são rotas especiais que tem regras específicas para conseguir clamar a conexão de rota. Em uma conexão de duas cidades por balsa o jogador é obrigado a usar locomotivas (carta multicolorida) iguais ao número de locomotivas impresso na rota. Para túneis o jogador declara que quer fazer um túnel, 3 cartas do topo da pilha de compras de cartas de trem são reveladas e descartadas, se alguma delas for uma locomotiva ou uma carta da mesma cor da rota, o jogador tem que pagar cartas adicionais da mesma cor, ou perde a ação sem conseguir construir.
 
A terceira mudança é a adição das estações, cada jogador recebe no começo do jogo 3 estações, agora como uma quarta ação possível, o jogador pode construir uma estação em alguma cidade que ainda não contenha nenhuma estação, com isso ela pode usar uma conexão de outro jogador que saia ou entre na cidade onde a estação está construída para fazer parte da rota e completar seu objetivo. Para construir a estação ele precisa gastar cartas de trem, 1 carta para a primeira estação construída, 2 cartas iguais para a segunda estação e 3 cartas iguais para a terceira.
 
Ao final do jogo a forma de pontuar é igual a do primeiro jogo, inclusive o bônus com a diferença agora que cada estação que foi mantida e não foi usada valem 4 pontos.
 
O TTR Europe é um excelente jogo também para 2 a 5 pessoas, o mapa é mais irregular e possibilita travar bem a passagem dos adversários, fazendo a mecânica das estações bem necessária para amenizar um pouco a disputa. O TTR Europe também funciona melhor em muitos jogadores e é meu jogo favorito da série para 4 ou 5 jogadores. Mantém a simplicidade característica do jogo base e acrescenta mecânicas não muito complicadas, mas bem vindas. Ainda existe a expansão Europe 1912 que acrescenta mais 55 novas rotas, deixando o jogo ainda mais variado.
 
Ticket to Ride: Märklin (2006)
 
Marklin Capa
 
Após o enorme sucesso dos dois jogos anteriores chegou a vez de mais um jogo com novas mudanças em 2006.
 
TTR Märklin vem com o mapa da Alemanha, o princípio básico das construções de trilhos e rotas permanece.
 
Nesse jogo além das cartas de locomotiva normais (as multicoloridas que valem como coringa), temos locomotivas 4+ que são usadas para conexões de rota de 4 ou mais espaços. A diferença é que a locomotiva 4+ você pode comprar como se fosse qualquer carta de trem, enquanto para comprar uma única carta de locomotiva normal você precisa usar seu turno inteiro, como era antes.
 
marklinmap
 
Agora cada jogador possui 3 passageiros, temos cartas de passageiros junto com as cartas de trens e locomotivas e as cidades contêm fichas que quando coletadas valem pontos de vitória, a brincadeira é usar suas conexões para fazer seus passageiros viajarem pelo mapa coletando as fichas de pontos de vitória, mas quanto mais tarde seu passageiro passar por uma cidade, se os passageiros dos outros jogadores passarem por lá antes as recompensas podem ser pequenas ou nulas.
 
Quando o jogador clama por uma conexão de rota, ele pode no final de seu turno decidir colocar um dos passageiros em qualquer uma das duas cidades conectadas na ação. Como uma quarta ação possível ele pode mover o passageiro continuamente por suas conexões e pode até usar conexões dos adversários se gastar cartas de passageiro para se locomover. Em cada cidade que o passageiro passa ele pega o token de ponto de vitória do topo da pilha da cidade, com exceção da cidade inicial, quando o passageiro termina sua viagem ele é descartado e não volta para o jogo.
 
Não existem estações, túneis ou balsas nesse jogo, mas os decks de ticket agora são separados por rotas longas e curtas, a diferença dele para o Europe é que agora temos 23 longas e 23 curtas e tanto no setup quanto na ação de compra de novos tickets os jogadores podem escolher de qualquer uma das pilhas respeitando as regras de quantidades a comprar e a manter.
 
Uma outra novidade introduzida nesse jogo é a possibilidade de terem tickets com destino de uma cidade do mapa até um país vizinho da Alemanha. Agora no final do jogo recebe um bônus quem completar mais rotas e não quem tiver o maior caminho consecutivo.
 
O jogo funciona bem para 4 ou 5 jogadores mas é fraco para uma quantidade menor, seu mapa é mais ameno e com menos bloqueios que o mapa dos EUA ou Europa e isso torna o jogo mais amigável e menos competitivo nos bloqueios das rotas do ticket de destino de cada jogador, a disputa maior vira por quem irá fazer a melhor viagem com seus passageiros e coletará mais pontos. A pontuação nesse jogo costuma dar 2 voltas no tabuleiro.
 
Esse é um jogo que realmente muda a dinâmica do jogo base que era apenas de construir, foi uma adição interessante mas ainda assim prefiro os outros dois mapas e a simplicidade de ambos.
 
Ticket to Ride: Nordic Countries (2007)
 
nordic capa
 
Vendo uma deficiência em fazer o jogo funcionar bem em poucos jogadores, Alan R. Moon e a Days of Wonder lançaram mais essa versão de Ticket to Ride focada em poucos jogadores, 3 no máximo.
 
TTR Nordic Countries traz o mapa dos países nórdicos como o próprio nome já diz, usam o mecanismo básico introduzido no primeiro Ticket to Ride com algumas diferenças.
 
nordicmap
 
O jogo implementa o conceito de balsas e túneis como o Europe, mas não possui as estações. A diferença agora é que as cartas de locomotiva (multi-coloridas) só podem ser usadas nessas duas conexões especiais e não mais nos trajetos normais. Com isso agora é possível comprar uma locomotiva como se fosse as outras cartas de trem, ou seja, você pode comprar uma locomotiva aberta junto com outra carta. Isso muda um pouco o fluxo do jogo, ao invés de locomotivas ficarem travando a mesa de compras, agora elas são mais atrativas, com poderes um pouco diminutos, mas ainda assim atrativas.
 
Nas balsas, uma regra especial, você pode substituir a necessidade de uma locomotiva por 3 cartas quaisquer, ou seja, para fazer uma conexão azul de 3 espaços que necessita uma balsa, o jogador pode agora descartar 2 cartas azuis e 3 cartas quaisquer ou 2 cartas azuis e uma locomotiva. Por falar em conexão de cor azul com balsa, esse é o primeiro jogo que implementa o sistema de balsas coloridas, no Europe as balsas eram todas cinzas (qualquer combinação de cores poderiam ser usadas).
 
Agora temos uma conexão de rota gigante de 9 espaços que vale 27 pontos, a regra aqui é que você pode substituir a carta necessária de um espaço por 4 cartas quaisquer, ou seja, você pode descartar 7 cartas roxas e 8 quaisquer ou 8 cartas azuis e 4 quaisquer para clamar a rota.
 
Os tickets voltam a ser homogêneos sem serem separados por rotas grandes e pequenas, e temos 46 deles, um número bem razoável para a quantidade de jogadores que o jogo comporta.
 
O bônus de 10 pontos, assim como no Märklin é para quem completar mais tickets.
 
É meu preferido, mas contem um pequeno defeito, não pode ser jogado em 4 ou 5 jogadores. Não que isso seja um grande problema, pelo menos é o mapa mais legal para se jogar em poucas pessoas sem nem precisar pensar duas vezes, mas se você pretende adquirir um Ticket to Ride para jogar em um grupo de pessoas maior, esse não é o indicado.
 
O que mais gosto nele é a capacidade de se manter mais fiel ao original apenas acrescentando as boas mecânicas de balsas e túneis e tentando deixar ainda mais homogênea a importância das locomotivas.
 
Ticket to Ride: Deuchland (2012)
 
Essa é uma versão baseada no Märklin mas usando apenas o mapa da Alemanha, sem a dinâmica dos passageiros, só é comercializado na Alemanha. Nunca joguei-a, coloquei ela no artigo apenas para informar que ela existe.
 
Map Collection
 
A série coleção de mapas é um conjunto de 4 expansões que não vem com os componentes básicos do jogo, apenas com mapas e algumas cartas adicionais dependendo do volume, não me aprofundarei muito nelas mas digo que são interessantes caso você já tenha enjoado de algum mapa base, vale ressaltar que essas expansões necessitam do primeiro Ticket to Ride ou do Ticket to Ride: Europe, o Märklin é incompatível por possuir um set de cartas de trem diferenciado (por conta das locomotivas 4+ e cartas de passageiros) e o Nordic Countries vem apenas com material para 3 jogadores.
 
asia
 
Vol 1: Asia (2011): Dois mapas: Team Asia que permite jogos em times de 4 ou 6 jogadores e Legendary Asia de 2 a 5 jogadores que possui uma mecânica de esforço por rotas montanhosas.
 
india
 
Vol 2: India (2011): Dois mapas: India que pode ser jogado de 2 a 4 jogadores com o mapa da Índia e introduz uma pontuação bonus por Mandala e Suíça que pode ser jogado de 2 a 3 jogadores, mais um mapa para poucos jogadores, com tickets que valem pontos variados de rotas variáveis de cidade para país ou país para país.
 
Africa
 
Vol 3: The Heart of Affica (2012): pode ser jogado de 2 a 5 jogadores, esse possui apenas um mapa da região central da África e possui cartas de terreno que podem duplicar os pontos de vitória fornecidos ao completar uma conexão de rota.
 
Nederland
 
Vol 4: Nederland (2013): Também possui um só mapa, o da Holanda, pode ser jogado de 2 a 5 jogadores, introduz novas mecânicas de pedágio de pontes, possibilidade de empréstimo e o uso de um jogador neutro caso esteja sendo jogado em apenas 2 jogadores.
 
 
 
 
Outras expansões
 
Além das expansões de mapa, foram lançadas outras expansões para todos os jogos da série, são elas Mystery Train (2004) que acrescenta 4 personagens ao deck de tickets que podem dar condições especiais de pontuação, Dice Expansion (2008) que acrescenta uma mecânica de dados substituindo as cartas de trens, Alvin & Dexter (2011) que acrescenta dois monstros no tabuleiro que impedem a construção de rotas nas cidades onde eles estão, mudando a dinâmica do jogo, Halloween Freighter (2012) que apenas traz trens e estações temático do dia das bruxas; fora as expansões USA 1910 e EUA 1912 para o Ticket to Ride e para o Ticket to Ride Europe já comentadas.
 
Ticket to Ride: The Card Game (2008)
 
Ufa, fora todos esses jogos e expansões da franquia ainda temos um Card Game com o tema feito pelo próprio Alan R. Moon em 2008, esse não tão aclamado nem tão popular, com opiniões mistas a respeito, confesso que nunca joguei-o e não estou familiarizado com as regras, portanto pouco posso opinar a respeito, apenas coloquei-o aqui para comentar que ele existe.
 
Ticket to Ride 10th Anniversary Edition (2014)
 
TTR 10th
 
E eis aqui a joia maior, lançada este ano, após 10 anos do primeiro jogo da franquia, não existe nenhuma diferença de regras com relação ao primeiro jogo, apenas que nessa edição já vem incluso a expansão USA 1910 e Mystery Train. Nessa versão todo o material ganhou um capricho extra, todos os trens são miniaturas pintadas dando uma beleza extra ao jogo e o mapa é maior, a arte do mapa e das cartas são diferentes e mais caprichadas também.
 
anniversary
 
Sem comentar as expansões, no fim cada jogo base tem seu charme, alguns mais complexos que outros, o que não é necessariamente algo bom ou ruim, depende mesmo do que você procura, mas certamente o jogo que merecia essa homenagem especial com essa versão super legal certamente tinha que ser o primeiro, clássico absoluto.
 
Se eu recomendo você a jogar algum em especial? Não, definitivamente. Se eu recomendo você a jogar qualquer um? Sim, definitivamente, de preferência todos.
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comentários
  1. Alexandre Trentini disse:

    Gostaria de comentar em meu próprio artigo para dizer que o primeiro contato que tive com o jogo foi com o Ticket to Ride: Europe em 2012, um grande amigo meu, Silvério, estava entrando no hobbie de jogar tabuleiros modernos e me apresentou-o, depois disso joguei os outros em outras oportunidades.

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