Citadels – resenha

Publicado: 6 de junho de 2014 por Tiago Perretto em Resenha
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“Eles parecem estar construindo um palácio, meu senhor”, informou o espião. “Caravanas chegaram lá recentemente e os mercadores fizeram fortuna. E o dinheiro troca de mãos rápido por lá.”

“Sim, como aqui. O nosso arquiteto virá?”

“Talvez”, disse o conselheiro, cuidadoso. “Ele anda ocupado, senhor.”

“Ocupado com cidadelas menores?”, rugiu o senhor. “É aqui que ele deveria estar!”

“Enviarei uma mensagem informando isso, senhor”, apaziguou o conselheiro.

“E o mago?”, inquiriu. “Ideias novas de construções são bem-vindas.”

“Sumido”, avisou outro conselheiro. O senhor franziu o cenho.

“O clérigo ao menos virá abençoar nossa cidadela na festa de verão?”

“É possível, senhor”, supôs o primeiro conselheiro. “Mas ele anda com medo de ser assassinado. Raramente sai do templo agora.”

“Mas o assassino não trabalha para nós? Valemo-nos dele há nem bem uma semana”, bufou o senhor.

“Assassinos só servem ao dinheiro, senhor”, falou o segundo conselheiro.

“Homens sem honra”, adicionou o primeiro conselheiro.

“Pois bem… nossas opções minguam”, resmungou o senhor. “Bem, se a cidadela ao lado tem dinheiro, chamem os ladrões.”

“Bem…”, começou o segundo conselheiro sem vontade de falar o que sabia.

“Desembuche de uma vez”, ordenou o senhor.

“… soube que foram mortos”, terminou o segundo conselheiro, a contragosto.

“Todos?”, rebateu o senhor, incrédulo. O segundo conselheiro riu e limpou a testa com um lenço.

“Não, senhor. Só o suficiente para que decidissem fazer guerra contra os assassinos”, respondeu. “Será um guerra sem frutos. Todos sabem que os assassinos não podem ser roubados.”

“Mas podem ser mortos”, comentou o senhor.

“Ah, isso sim”, concordou o segundo conselheiro.

“Ótimo, simplesmente, ótimo.” O senhor olhou da varanda por sobre sua cidade, ouvindo os sons dos martelos, os gritos pelas ruas e vendo as obras que tornariam, se tudo seguisse o planejado, aquela a maior e mais famosa cidadela de todo o reino. “Nós realmente precisamos nos aproximar mais do rei”, disse para ninguém em particular.

“Definitivamente”, anuiu o primeiro conselheiro. “Perto dele as opções são mais fartas para prosperarmos, senhor.”

“Sim. Mas não será hoje.”

“E o que faremos hoje, senhor?”, perguntou o segundo conselheiro.

“Hoje?”, sorriu o senhor. Se não podiam construir a contento, poderiam, ao menos, destruir. “Ora, hoje faremos a guerra.”

 

CITADELS – O JOGO

(Cortesia de Verkisto)

Citadels é um jogo em que os participantes escolhem entre uma gama de papéis, cada uma com capacidades únicas, que os auxiliam no objetivo de erigirem as mais belas e portentosas construções.

De começo cada participante recebe uma mão de cartas (as construções), em que cada uma contém certas informações: a cor a que pertence, o custo para ser construída e, algumas, possuem capacidades próprias, descritas nas próprias cartas.

(Cortesia de EndersGame)

A seleção dos papéis ocorre em ordem a partir do “Rei” (inicialmente escolhido de forma aleatória e, depois, o jogador que escolher o Rei, será o primeiro a escolher um papel na rodada seguinte e quem estiver à sua esquerda escolha por segundo e assim em diante).

Os papéis (tradicionais) são os seguintes:

1 – Assassino: o jogador anuncia um papel, o jogador que escolheu aquele papel é “assassinado” (ou seja, perde todo o turno de jogo daquela rodada);

2 – Ladrão: o jogador anuncia um papel, o jogador que escolheu aquele papel é “roubado” (ou seja, perde todo o dinheiro que tem no começo de seu turno, mas não o dinheiro que porventura receba em seu próprio turno);

3 – Mágico: o jogador pode ou trocar a mão de cartas com outro jogador ou descartar qualquer número de cartas e comprar da pilha o mesmo número de cartas que descartou;

4 – Rei: o jogador ganha 1 dinheiro por cada construção amarela que tenha construído e se torna o primeiro jogador da rodada seguinte;

5 – Bispo: o jogador ganha 1 dinheiro por cada construção azul que tenha construído e não pode ser atacado pelo Senhor da Guerra;

6 – Mercador: o jogador ganha 1 dinheiro por cada construção verde que tenha construído e, independente da ação de escolha (comprar cartas ou ganhar dinheiro), ganha 1 dinheiro extra;

(Cortesia de kilroy_locke)

7 – Arquiteto: o jogador, após as ações normais, pega duas cartas da pilha de compra e mantém na mão, além disso, é permitido que faça até 3 construções no mesmo turno (o limite usual é 1 construção);

8 – Senhor da Guerra: o jogador ganha 1 dinheiro por cada construção vermelha que tenha construído e pode destruir uma construção de qualquer outro jogador pagando um dinheiro a menos que o custo para construir da mesma.

A ação na rodada é simples. O jogador inicial separa os papéis que estarão disponíveis (em nenhuma rodada todos estarão disponíveis, sempre haverá algum de fora), escolhe um e passa os demais ao jogador ao lado. Este, por sua vez, escolhe um e passa os demais e assim até que o último jogador receba duas opções (sempre duas, de forma que o jogador anterior não saiba qual dos dois o jogador seguinte escolherá).

Então, por ordem numérica (o 1 é o Assassino, o 8 é o Senhor da Guerra), o “Rei” anterior vai chamando os papéis e os jogadores que os escolheram se apresentam, revelam a carta do papel e realiza as ações possíveis. Um exemplo simples:

– O Rei da rodada anterior começa chamando “Assassino, apresente-se”;

– O jogador que escolheu o Assassino se apresenta, revela a carta e anuncia que irá matar o Rei. Regicídio! Então escolhe a ação de pegar 2 dinheiros do “banco” e, não desejando construir naquele momento (ele poderia, se quisesse), informa que terminou de agir;

– O Rei chama o próximo papel: “Ladrão, apresente-se”;

– Os jogadores se entreolham e ninguém responde ao chamado. Não há Ladrão em jogo desta vez;

– Assim, o Rei chama o papel seguinte: “Mágico, apresente-se”. E desse modo vai até que todos os jogadores tenham tido a sua vez (ou no caso do Rei, que foi assassinado, tenha a vez pulada!).

(Cortesia de EndersGame)

O jogo segue até que um jogador complete 8 construções. A rodada em que isto ocorrer é completada (mesmo que, digamos, seja na fez do Bispo que ocorra a 8ª construção, o Rei ainda chamará pelo Mercador, Arquiteto e Senhor da Guerra). Após todos os papéis tenham sido chamados e as ações feitas, há a contagem de pontos (cada construção vale 1 ponto por dinheiro usado para construí-la, além disso, há pontos de bônus para quem tiver: 8 construções, pelo menos um prédio de cada cor e por ter sido o primeiro a completar 8 construções).

Quem tiver mais pontos, vence!

E É BOM?

(Cortesia de sirjeyhmis)

Depende. Do quê?, você pergunta. Do número de participantes. O jogo informa que aceita de 2 a 8 pessoas. Tecnicamente, é verdade. Mas é simples: com até 5 pessoas eu gosto bastante do Citadels e sou parceiro para jogar sempre.

Com 6 ou mais eu tenho terrores noturnos só de pensar. As ações no jogo não são simultâneas. Nada é simultâneo neste jogo. Cada um deve esperar a sua vez de escolher um papel (o que pode demorar). Depois cada um deve esperar a sua vez de ser chamado (o que pode demorar).

O Citadels não deve demorar mais de 1 hora. Com até 5 isso é possível. Com 6 ou mais é quase impossível.

Como o Citadels é vendido como um jogo para family game e um party game, que usualmente carregam a ideia de que servem para grande número de participantes (o que é verdade, já que o Citadels aceita até 8), isso certamente atrapalhou a aceitação do jogo, sendo certamente evitado, quando não amaldiçoado, após partidas de +2 horas em que 7 ou 8 pessoas quase dormiam na mesa esperando a vez.

Agora, com até 5, o jogo é muito bom. Existe blefe, estratégia, análise dos oponentes (quem eles vão pegar? Vão tentar o óbvio ou um papel nada a ver? O óbvio será óbvio já que é tão evidente? Ele correrá o risco?, e para mim? O Assassino não me vale nada, mas me garante o turno. Ou tento o Bispo pelo dinheiro dos meus prédios azuis? E se eu for roubado?).

Vira então uma disputa ferrenha por recursos, que todos querem, enquanto há tanta oposição querendo assassinar seus papéis, ou roubá-los, ou destruir o que foi feito, ou mesmo deixá-lo quase sem escolha, afastando-o do Rei.

Um jogo entre amigos para fazer inimigos!

Além disso, o jogo tem arte fenomenal e vem numa prática caixa que quase não ocupa espaço e nem pesa no bolso.

E é isso.

Abs,

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comentários
  1. Aline disse:

    Citadels é um jogo bem legal, mas compartilho do seu trauma de jogá-lo com muitas pessoas. Nunca mais esqueço a vez em que atravessei a madrugada jogando com um grupo de amigos. Ninguém aguentava mais, se não me engano acabamos por desistir, vencidos pelo cansaço. Queria experimentar jogar apenas com 2 pessoas, já vi vários relatos de que é bem legal. Para fechar, uma pena que a versão nacional não tenha seguido a forma compacta da original.

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  2. Daniel Braga disse:

    Apesar de gostar muito deste jogo percebo que não é um jogo que possui um apelo dos meus amigos, que jogam mais porque eu estou na pilha do que eles! Tenho jogado com 3 jogadores e vai bem com este número!

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