Legends of Andor – Resenha

Publicado: 8 de maio de 2014 por Alexandre Trentini em Resenha
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Legends of Andor é um jogo projetado por Michael Menzel em 2012, responsável também pela arte do jogo. Menzel é mais conhecido por ser responsável pela arte de vários jogos famosos como Dominion, Stone Age, Shogun, Settlers of Catan entre outros, mas como designer esse é o primeiro jogo publicado.



O jogo é para ser jogado de 2 a 4 pessoas e possui um tema bem genérico e bastante abordado por vários jogos de tabuleiro, video games e RPGs; é um jogo cooperativo onde cada jogador é um personagem dentre quatro opções: Mago, Guerreiro, Arqueiro ou Anão e o jogo é ambientado em um mundo fantástico medieval. São cinco cenários para serem jogados e mais cartas adicionais para o jogador criar um sexto cenário.

É um jogo super simples, regras claras e fáceis e a arte muito bonita, os personagens e inimigos não são miniaturas, mas são tokens de papelão prensado que ficam de pé em stands o que baixa o custo do produto mas mantém um charme com uma solução simples e funcional.

O grande diferencial desse jogo é a forma como as regras são apresentadas, temos dois guias, o guia rápido para montar o setup do primeiro cenário e o guia de referências que serve para os outros cenários. Mas esse segundo guia, apesar de conter todas as informações necessárias, não precisa ser usado, o jogo tem um sistema de eventos e avanço da história que a medida que a história vai avançando, uma nova regra é apresentada quando é julgada necessária, com isso basta se ensinar as coisas básicas e as mais complexas que vão surgindo vão se apresentando de forma natural conforme a história avança e a ação complexa é requisitada.

Explicando o conceito geral de forma rápida, temos um tabuleiro com dois lados, um dos lados é usado em um cenário e se passa dentro de uma mina subterrânea. O outro lado, as vizinhanças do reino de Andor, é usado na maioria dos cenários. A premissa é que existia um reino chamado Reino de Andor em que as pessoas viviam pacificamente, até que uma ameaça chegou, os Gors, Skrals, Trolls e Wardrakes vieram para invadir e destruir o reino, os jogadores são heróis campeões que devem cumprir objetivos em cada cenário, como obter uma porção para curar o rei que está doente ou entregar um pergaminho a um andarilho das florestas. Os cenários apesar de serem ligados entre si por avançarem uma história, não são ligados como uma campanha, pois cada cenário usa um herói novo que não carrega seus fardos e experiências de cenários anteriores e o cenário parte do pressuposto que o anterior foi finalizado com sucesso.



Basicamente cada herói pode realizar ações de mover, capturar itens, batalhar algum inimigo no ponto do tabuleiro que ocupa. Cada vez que o herói faz uma ação dessas avança uma hora do dia para o herói, cada herói tem 7 horas por dia para agir e pode extender para mais 3 horas de noite se gastar forças de vontade para cada hora da noite que usar. Quando todos os heróis gastaram todas as suas horas do dia ou decidiram não fazer mais nada durante o dia, o jogo avança mais um dia, com isso um novo evento do deck de eventos é resolvido e os inimigos se movem em direção ao castelo, com isso a história também avança, existe um peão que controla o avanço da história do cenário, e o peão se move de A até N. Existe um deck do cenário que possui as cartas na ordem que são tiradas quando o peão atinge uma letra, com isso a história sempre avança em 2 situações: quando passa um dia e quando os heróis matam um inimigo.

Então se você sair matando os inimigos para se ver livre deles no mapa, você vai avançar a história rápido demais e algumas cartas que são retiradas quando determinada letra é alcançada colocam mais inimigos no cenário. Se por acaso o peão chegar até a letra N antes dos heróis terem cumprido os objetivos do cenário, o jogo termina como derrota. Portanto a idéia é matar apenas os inimigos chave que irão com certeza chegar ao castelo na mudança do dia, para que o cenário não avance tão rapidamente e tenha tempo de cumprir os objetivos, esse sistema faz com que o jogo se torne um belo quebra-cabeças, pois você só deve mexer as peças essenciais, algumas você até pode deixar entrarem no castelo, pois existem defesas, tudo para ter tempo de realizar todas as tarefas.

O jogo possui um desafio progressivo conforme o cenário, o cenário 1 por exemplo que é introdutório é muito fácil, o segundo cenário já exige um pouco de atenção, do terceiro em diante o desafio aumenta, culminando no último cenário em que um Dragão invade o Reino de Andor.



Como eu disse anteriormente a arte do jogo é muito bonita e a solução de stands com as figuras dos personagens é bem funcional. O jogo é super indicado para se jogar com as crianças, pois elas conseguem entender as regras super simples e costumam gostar do tema de fantasia empregado no jogo. Por outro lado faltava um pouco de cuidado para transformar o jogo em uma campanha, seria muito bom poder ter os heróis evoluindo conforme os cenários são finalizados.

Outro ponto negativo é que apesar da força dos inimigos “chefes” serem escalonadas conforme a quantidade de jogadores, o resto do cenário se torna mais fácil quando temos 4 heróis do que quando temos 2, não existiu um cuidado especial para escalonar a dificuldade conforme a quantidade de pessoas que participam do jogo.

O cenário pode enjoar se jogado múltiplas vezes, apesar de existirem eventos aleatórios que acontecem junto com o andamento da história, o jogo se beneficia muito do elemento surpresa da história que a gente ainda não sabe e fica sabendo apenas quando o peão chega em uma letra. Quando re-jogamos o cenário, já sabemos exatamente o que vai acontecer e até conseguimos nos posicionar para nos preparar para isso, salvo os eventos aleatórios que não afetam o jogo tanto assim.

Um ponto positivo é sua duração, um cenário não passa de uma hora, o que o torna atrativo para divertimentos mais rápidos.

É um jogo bom e indicado para quem gosta de jogos cooperativos não muito longos, com desafio progressivo, mas não tão desafiador assim, com regras simples e bem funcionais, esperamos por mais jogos projetados desse excelente e renomado artista que está se aventurando um pouco no mundo do design.

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comentários
  1. Tiago disse:

    É porque a ideia do game é ser uma base para lendas diversas, não a repetição das que vem. Lembrando um rpg de mesa!! Tanto é que vem cartas em branco como incentivo.

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    • Alexandre Trentini disse:

      Desculpe a demora para a resposta, o blog andou um tempo abandonado, sim a idéia do jogo é exatamente isso, e para manter o jogo interessante necessita de mais expansões com mais cenários.

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