Family Business – resenha

Publicado: 22 de janeiro de 2014 por Tiago Perretto em Resenha
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“Frank, venha cá, Frank”, pediu o homem sentado à mesa.

“Senhor”, apresentou-se o solícito capanga.

“Frank, sente-se, Frank”, falou o homem à mesa. Frank sentou, ficando de frente ao homem. “Frank, ouvi dizer que você foi até a área norte, Frank. Não é área nossa, Frank. Não ainda, Frank.”

“Mas, senhor, eu…” Frank começou a desculpar-se, mas foi interrompido pelo levantar da mão do homem que estava em frente dele.

“Frank, meu amigo, não vamos até lá por um motivo, Frank. É o mesmo motivo porque eles não vem até aqui, Frank. Você sabe disso, não é?”

“Sei, mas…” A mão do homem à mesa subiu de novo.

“Frank, é uma pena, Frank. Agora temos problemas, Frank”, avisou o homem, que fez um sinal com a cabeça para alguém ao fundo. “E agora, Frank?”

A faca fez o trabalho sujo rapidamente. Frank estava no chão enquanto o seu assassino limpava a faca. O homem à mesa falou com o assassino: “Poderíamos ter feito isso para você. Seria mais digno para o Frank.”

O assassino pôs o chapéu, guardou a faca e respondeu: “Poderia. Mas este era um negócio de família.”

FAMILY BUSINESS – O JOGO

(Cortesia de wtrollkin2000) – essa imagem é da edição da década de 80 da Mayfair, a que eu tenho. Há versões bem mais novas.

Family Business é um jogo de família – ohhhhhhhh – com o tema da disputa entre famílias criminosas. Sim, parece pelo texto de entrada que o jogo é pesado. Não é, ainda que, se formos avaliar o que acontece nele, é mais ou menos como foi acima.

No jogo cada participante assume o controle de uma das famílias criminosas e disputa com os demais para ser o último com alguém ainda vivo. As “famílias” (vou tirar as aspas a partir daqui, mas não são todos realmente membros de uma mesma família) disponíveis são:

– New York Mob

– Purple Gang

– Bank Robbers

– Moran Gang

– Muder Inc.

– Capone Mob

(Cortesia de Eddy V.)

Cada família tem 9 membros. E não faz diferença quem morre. Não é porque é a Gangue do Moran que o Moran tem que ser o último a morrer, ou se ele morrer primeiro a família perde alguma habilidade especial ou algo do gênero. Seria legal se algo assim ocorresse, mas isso exigiria mais regras e esse é um jogo para ser simples, rápido e sanguinário.

Na sua vez o jogador:
– Compra uma carta;

Então:
– Usa uma carta ou descarta uma carta.

E é só. Mas aí entram os efeitos das cartas, que são divididos em três tipos:

– Ataque: Contrato, Contrato Duplo, Contrato Prioritário, Assassinato (Hit), Traição Dupla, Guerra da Máfia, Emboscada, Vendetta e o Massacre do Dia de São Valentino.

– Resgate: Proteção Policial, Substituição, Intriga, Trégua, Suborno, Batida dos Federais e Dando no Pé.

– Contra-ataque: Dedo-duro, Esconderijo, Poder da Máfia e Influência da Família.

(Cortesia de Siu Chak Yeung)

Ok. Algumas das minhas traduções acima podem confundir quem conhece as cartas com os nomes originais, mas é como eu as traduziria. Não vou descrever carta por carta o que elas fazem, mas vou descrever um breve turno de jogo com 3 participantes:

– De começo de jogo cada participante recebe 5 cartas;

– 1º jogador compra uma carta;

– Então decide jogar um Contrato contra o qual não pode ser usado a carta Influência de Família no 3º jogador;

– 0 3º jogador fica indignado, mas consegue se defender usando a carta Poder da Máfia, que além de evitar ter uma das pessoas da família ir para A Parede (onde, tematicamente falando, eles serão executados se ainda estiverem ali quando a Guerra da Máfia começar) ainda faz com que um membro da família que usou o Contrato vá para A Parede no lugar do que se safou!;

– O 1º jogador poderia se defender do Poder da Máfia com a Influência da Família ou com uma própria Poder da Máfia, mas não tem nem uma, nem outra, então um dos membros de sua família vai para a A Parede, onde já tem outras 4 pessoas/cartas;

– O 3º jogador compra uma carta, pois é seu turno agora. Como?, você pergunta. É que sempre que alguém se defende de um Ataque, a vez do jogo passa para o defensor, mesmo que isso faça, no caso, o 2º jogador ter sua vez pulada;

– O 3º jogador olha A Parede, onde tem uma de suas cartas. As outras quatro são duas do 1º jogador e duas do 2º jogador. É uma boa hora para começar a Guerra da Máfia, ele pondera (a Guerra da Máfia sempre começa quando há 6 ou mais cartas n’A Parede e só para quando a última carta é excluída de jogo – os cartas podem continuar indo para A Parede, dando mais “combustível” à Guerra! Ademais, caso haja, somando todas as cartas das famílias, 6 ou menos cartas a Guerra da Máfia está ocorrendo sem parar mais!). Assim, ele joga um Contrato Duplo no 1º jogador, porque supõe – acertadamente – que se ele pudesse se defender, teria feito isso antes;

– O 1º jogador fica com sangue nos olhos ao ver mais dois membros de sua família irem para A Parede. Desse modo há 7 cartas n’A Parede e começa a Guerra da Máfia! A partir de agora, sempre que a vez de jogo passar, uma das cartas ali sai de jogo;

– A vez passa do 3º jogador para o 1º jogador. Uma das cartas, bem da família do 1º jogador, “morre” (sai de jogo) – sobram ainda 6. Então ele compra uma carta. Ah, que apropriado: um Contrato Prioritário (usualmente as cartas atingidas por Contratos entrem em ordem, mas o Contrato Prioritário, como diz o nome, mando o alvo para a frente da fila, ou seja, se usada com sucesso, a carta atingida sairá sem possibilidade de ser salva, pois iria para a primeira posição e, como a vez passaria ao 2º jogador, tal carta seria eliminada). Mas como o 1º jogador ainda tem outras 3 cartas n’A Parede ele resolve que a real prioridade é salvá-los, então jogar a carta Batida dos Federais, que remove todas as cartas d’A Parede e, com isso, a Guerra da Máfia termina. Pelo momento, somente pelo momento.

E esse é o jogo!

E É BOM?

(Cortesia de Eddy V.)

Ah, tenho ótimas memórias de excelentes jogos! Não é dos jogos mais simples que existe para ser ensinado, por tem várias cartas com efeitos diversos. Mas está longe de ser complicado também. Basta uma ou duas rodadas para todos entenderem o que ocorre e já colocarem as manguinhas de fora.

É certamente um jogo do tipo “Tome isso!”, e se isso não é algo que lhe atrai, fique longe, pois o Family Business é puramente isso.

A mecânica do Family Business também é interessante: o fato da vez de jogo “saltar”, faz aliados inesperados surgirem (outra pessoa lhe defende de uma carta de Ataque só para que a vez para a ser dele e ele possa agir), bem como cria uma dinâmica legal. E como é um jogo com eliminação de participantes (quando a última carta do jogador é eliminada), ele foi pensado para “acelerar” mais perto do final, quando a Guerra da Máfia ocorre a todo momento.

Há sim um bom fator de sorte envolvido na compra das cartas, porém a conversa/negociação na mesa é tão ou mais importante. Alianças podem ser feitas e quebradas, ameaças correm por todas as bocas e promessas de vingança são a ordem do dia.

Então, em resumo, eu gosto bastante!

E é isso!

Abs,

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