Glory to Rome – resenha

Publicado: 27 de dezembro de 2013 por Tiago Perretto em Resenha
Tags:, , , , ,

Entre as cinzas da grande cidade devastada pelo fogo, alguns patrícios, em busca de honra, renome e fortuna, começam a reconstruí-la. Não será um trabalho fácil, mas o sacrifício, qualquer que ele seja é válido. Pois esta não é uma cidade qualquer. Ela é o pináculo da civilização sob a qual paira a Águia, símbolo de paz e de supremacia. Ela é Roma, onde o coração do mundo pulsa.

Glória à Roma!

GLORY TO ROME – O JOGO

Imagem por Microver99

Glory to Rome é um jogo de estratégia fundamentado no uso de cartas para aquisição de recursos, habilidades e riquezas, tudo culminando para acumular o maior número de pontos.

Para isso o jogador tem a sua disposição 7 ações possíveis, das quais 6 são utilizadas através do gasto de uma carta. Estas ações são:

– Patrono: permite ao jogador pegar uma das cartas comunais (o pool de cartas) e a coloca como um de seus clientes – assim, cada vez que o jogador realizar a ação daquele cliente, ele usará 1x pela carta que está usando e 1x por cliente do mesmo tipo (por exemplo, se o jogador chamar a ação do Patrono, já tendo um Patrono, pegará 2 cartas do pool para a sua clientela). O limite de Clientes é igual ao total de Influência que o jogador tenha;

– Trabalhador: permite ao jogador pegar uma das cartas comunais e colocá-la no estoque;

– Arquiteto: tem função dupla – o jogador deve escolher uma delas. A) Ele permite iniciar a fundação de uma construção usando uma carta da mão, e B) Permite mover materiais de construção do estoque para a construção;

– Artífice: também tem função dupla – o jogador deve escolher uma delas. A) Ele permite iniciar a fundação de uma construção usando uma carta da mão, e B) Permite mover materiais de construção da mão para a construção;

– Legionário: permite ao jogador demandar por materiais de construção da seguinte maneira: o jogador deve escolher um material que tenha em mãos, mostrando-o aos demais e falando “Roma demanda NOME DE ALGUM MATERIAL”. Dessa maneira, o jogador pode pegar uma carta do material que exigiu das cartas comunais (se houver) e os jogadores ao lado daquele que usou a ação do Legionário devem também entregar, se tiverem, uma carta do material demandado. Se os “vizinhos” não tiverem o material, devem dizer: “Glória à Roma!”;

– Mercador: permite ao jogador passar materiais que tenha no estoque para o cofre. Cartas no cofre contam pontos ao final do jogo de acordo com o tanto que valem. O jogador que mais tiver um determinado material ganha, ainda, 3 pontos extras – se houver empate, ninguém recebe a pontuação extra. O limite de Clientes é igual ao total de Influência que o jogador tenha.

Essas são as ações básicas com cartas. Após usadas as ações, as cartas que as chamaram vão para a área comunal e passam a servir como materiais de construção.

Imagem por Robert Seater

7ª ação é a de “Pensar”.

– Pensar: permite que o jogador compre até completar a mão com 5 cartas. Se o jogador já tiver 5 cartas, compra 1 carta. Ao invés de comprar para completar a mão, ou de obter uma carta adicional, o jogador pode pegar um Coringa, que vale como qualquer outra carta para usar a ação, mas não vale como nenhum material. Se o jogador principal “Pensa”, nenhum dos outros pode segui-lo nesta ação.

Seguir? Isso mesmo.

SEGUINDO A BOIADA

Imagem por Sungarden3

Após o jogador selecionar uma ação, os outros jogadores têm duas opções:

A) Seguir a ação, usando uma carta do mesmo tipo ou com um Coringa. O jogador fará a mesma ação do jogador principal, mas fará depois que este e de quaisquer outros que estejam em sua frente na ordem horário após o jogador principal. A decisão de seguir não é simultânea, assim o jogador pode ver quem está seguindo antes de tomar sua decisão. Um jogador que tenha um Cliente referente à ação utilizada, pode seguir a ação sem usar nenhuma carta – assim, ele pode tanto “pensar” ou usar uma carta, de forma realizar a ação mais vezes;

b) Pensar – segue as regras normais de compra de cartas.

Após todas as ações realizadas, a função de jogador principal (aquele que chama a ação) passa ao jogador da esquerda daquele que acabou de ser o principal.

A LATRINA & OUTRAS MARAVILHAS DA ARQUITETURA

Imagem por Sungarden3

Bem, a grande graça do jogo são as construções. Para iniciar a construção de algo é preciso usar a ação do Arquiteto ou do Artífice. O jogador pega uma carta de “Local” referente ao material que pretende usar (existe madeira, tijolos, mármore, pedra, etc) e coloca em cima da carta de local uma das cartas que tenha em mãos que seja do mesmo tipo de material – essa será a construção.

As construções permitem aumentar a Influência do jogador quando concluídas (o que aumenta o total de Clientes e de espaço no Cofre – além disso, cada ponto de Influência conta como 1 ponto de vitória ao final do jogo).

Além disso, construções tem “habilidades” das mais diversas, e que afetam todos os pontos do jogo. Ou seja, tudo que você leu acima, pode ser modificado por uma habilidade de algum prédio.

Assim, a estratégia passa não somente pelo uso das ações, mas também pela relação entre o que fazer com o que construir. É daqui que vem a complexidade do jogo, pois existem dezenas de tipos de construções com o mesmo tanto de habilidades diferentes.

A GLÓRIA, AFINAL!

O jogo termina quando um dos 4 gatilhos abaixo ocorre:

1 – Se termina a pilha de cartas para compra;
2 – Se terminam os locais para construção (não contam para isso os “locais fora da cidade” – estes podem ser usados para construção também, mas custam duas ações do Arquiteto ou do Artífice);
3 – As Catacumbas são construídas.

Se ocorre o final do jogo por alguma dessas três maneiras, há a contagem dos pontos, revelando-se o que estava “escondido” no cofre e coletando os pontos extras. Vence quem tiver mais pontos. Em caso de empate, vence quem tiver mais cartas em mãos.

Há, no entanto, um 4º gatilho de final de jogo:

4 – O Fórum é construído e o jogador tem todos os 6 tipos de Clientes. Se isto ocorre, o jogo termina imediatamente e o jogador que construiu o Fórum vence direto, sem contagem de pontos.

NÓS QUE ESTAMOS PARA MORRER, TE SAUDAMOS, Ó CESAR ou E É BOM?

É bem bom! De início a sensação é aquela que eu tive com o Race for the Galaxy: mas o que diabos é para fazer? A relação entre as ações, as construções e o que os outros estão aprontando, é complicada.

Além do que, a princípio, a “máquina” parece andar devagar demais para realmente fazer qualquer coisa: por exemplo, primeiro usa-se o Artífice, abaixa-se uma construção e, pronto, tem-se somente 3 cartas na mão, sendo uma o Coringa. A construção exige 3 pedras, das quais você só tem uma. Poderia usar uma nova ação do Artífice, para enviar a carta direto da mão, mas não há outra dessas. Então, primeiro o jogador “Pensa”. Daí será necessário 1 ação Mercador (cujo material que é referente a ele é a pedra), para colocar pedras na aérea comunal, daí será necessário a ação do Trabalhador, para puxar UMA das pedras. Em seguida a ação do Arquiteto para colocar a pedra na construção. Ótimo! Só mais duas pedras agora!

Imagem por Ender Wiggins

Mas claro, isso se os outros fizerem exatamente o que você quer, já que você só pode seguir no que eles fizerem, não chamar ações próprias. E a sensação é de que metade do jogo já se foi e ainda falta 2/3 para terminar a primeira construção!

Nada tema, porém! Com os Clientes, algumas ações passam a ocorrem 2x ou mais. Há construções baratas (de madeira e entulho) que custam somente 1 carta para serem completas e já permitem novos Clientes, bem como o uso de habilidades bem úteis. Ou seja, o jogo tende a acelerar: com cada vez menos cartas faz-se mais coisas.

É um jogo que não dura muito (cerca de 45 minutos a 1 hora) e a experiência é de que bastante ocorreu. Há bastante interação entre os jogadores (não somente pelo uso do Legionário), tanto na disputa pelos recursos quanto pela escolha das ações.

Considero-o, enfim, um jogo excelente, com ótima rejogabilidade e bastante inteligente.

Há uma nova edição – a Black Box Edition (esgotada) -, com arte mais sóbria. Eu, no entanto, gosto da arte cartunesca, mesmo ela sendo cartunesca. Mas há quem se incomode, avaliando que a arte faz o jogo parecer bobo num primeiro olhar. Só que de bobo esse jogo não tem nada.

E é isso!

Abs,

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s